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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

CONTOS E LENDAS

A LENDA DA SERRA DA ESTRELA

Era uma vez um pastor que vivia com o seu rebanho numa alta serra do centro de Portugal. Como todos os pastores, fazia da solidão uma amiga. A companhia da natureza e dos animais bastavam-lhe. Há muito tempo que tinha trocado a aldeia pelos altos e grandes prados, onde sempre se tinha sentido melhor. De dia, corria e brincava com os animais e, quando já estava cansado, então via apenas. Observava a vastidão e o colorido de uma paisagem sempre a mudar,
Já lhe conhecia bem as maneiras, os sons e os cheiros. E à  noite, recolhido o rebanho ainda lhe sobrava tempo para falar de tudo o que lhe apetecia com a sua grande amiga. Era mesmo grande aquela estrela que se erguia imponente e luminosa bem acima do alto da serra, rodeada por milhares de outras mais pequenas. Era a sua confidente de todas as noites. Ouvia-o sem nunca se aborrecer. E ele voltava sempre à procura daqueles momentos mágicos em que encontrava paz e entusiasmo para recomeçar um novo dia. Certa vez, chegou aos ouvidos do Rei que nas suas terras havia um pastor que falava com as estrelas e logo, por curiosidade ou inveja, o mandou chamar à sua presença, propondo-lhe que trocasse a estrela falante por uma grande riqueza. Afinal de contas, não era qualquer rei que se podia gabar de falar com uma estrela.
O pastor disse-lhe então que não trocaria a sua amiga por riqueza alguma deste mundo. Antes ser pobre e continuar feliz.
Desapontado, mas compreendendo as suas razões, o rei,  mandou-o em paz.
Quando chegou à cabana no alto da serra, mal anoiteceu, foi ter com a sua amiga estrela e, dessa vez, foi ela a confessar-lhe os seus receios. Entoando uma doce melodia, disse-lhe que, por momentos, chegou a pensar que ele  a tivesse trocado pelo dinheiro do poderoso rei. Foi a vez do pastor a sossegar, dizendo-lhe que a sua amizade era para ele a mais preciosa das coisas e, em alta e profética voz, deu o seu nome àquela que era também a sua serra: Serra da Estrela.
 Ainda hoje se diz que na Serra, uma estrela diferente das outras brilha à procura do seu pastor.

CONTOS E LENDAS

 

"A LENDA DAS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA "

 
Simão Pires, um cristão-novo, cavalgava todos os dias até ao convento de Santa Clara para se encontrar às escondidas com uma freira chamada Violante. A jovem tinha sido feita noviça à força por vontade do seu pai, um fidalgo que não estava de acordo com aquela paixão.
Certo dia, Simão pediu à sua amada para fugir com ele, dando-lhe um dia para decidir. No dia seguinte, Simão foi acordado pelos homens do rei que o vinham prender acusando-o do roubo das relíquias da igreja de Santa Engrácia que ficava perto do convento, onde alguém o tinha visto. Para não prejudicar Violante, Simão não revelou a razão porque tinha estado no local.
Apesar de invocar a sua inocência foi preso e condenado à morte na fogueira que se faria junto da nova igreja de Santa Engrácia, cujas obras tinham entretanto começado. Quando as labaredas envolveram o corpo de Simão, este gritou que era tão certo morrer inocente como as obras da referida Igreja nunca mais acabarem.
Os anos passaram e a freira Violante foi um dia chamada a assistir aos últimos momentos de vida, de um homem que não conhecia. Tratava-se de um ladrão que tinha pedido a sua presença. Este  revelou-lhe então que tinha sido ele o autor do roubo das relíquias e sabendo da relação secreta dos jovens, tinha incriminado Simão. Pedia-lhe agora o perdão, coisa que Violante lhe concedeu. Entretanto, um facto singular acontecia: as obras da igreja iniciadas à época da execução de Simão pareciam nunca mais ter fim. De tal forma que o povo se habitou a comparar tudo aquilo que não mais acaba às obras de Santa Engrácia. 
A Igreja, entretanto renomeada  " Panteão Nacional ", só foi concluida em 1966. Tinham passado quase trezentos anos...
 
Fonte : Lendas de Portugal ( adaptação )
 

 

CONTOS E LENDAS

O MITO DE ÉDIPO E  DA  ESFINGE 

  

Não há, que me lembre,  forma de arte que não se tenha servido do Mito de Édipo e da Esfinge como fonte de inspiração. A Literatura, o Cinema, a Ópera, a Música, o Teatro e mesmo a Ciência, através de Freud e da psicanálise, prestaram-lhe o devido tributo. É uma metáfora brutal que nos fala de forças e elementos que não controlamos e ditam a nossa sorte. Uns nascem para a comédia, outros para a tragédia. Édipo foi um personagem trágico. A sua história, passada em Tebas, foi mais ou menos esta...

Após o assassinato do rei Laius e do príncipe herdeiro, o trono de Tebas foi ocupado pelo seu cunhado, Creonte II. Foi então que nos primeiros tempos do seu reinado, Tebas foi assombrada e devastada pela presença de uma fabulosa criatura a quem chamavam Esfinge. Era uma enviada de Hades, o Deus grego dos infernos. A criatura articulava uma cabeça de mulher num corpo de leão com asas de águia.

 Por onde passava tudo destruía, devorando campos e pessoas. Nos intervalos, passava o tempo a cantarolar uma estranha ladainha, que afirmava ter aprendido com as Musas do Olimpo. Esse cantarolar continha um desafio. Pois tratava-se de um enigma que ninguém até à altura tinha conseguido decifrar. Depois de muito cantar e destruir outro tanto, a Esfinge, sentada no  alto de um monte,  fez a Creonte " uma proposta que este não podia recusar. " Se algum tebano resolvesse o enigma, ela partiria e a paz regressaria a Tebas. Todos os que falhassem seriam devorados e a devastação continuaria.

 

Desesperado, Creonte decidiu que daria a mão de sua filha a quem fosse capaz de resolver o problema. O enigma estava contido na seguinte pergunta:

" Qual é a coisa qual é ela, que tem quatro pernas pela manhã, duas à tarde e três à noite?" Foram muitos os candidatos a arriscarem a vida e todos eles morreram. A esperança era já pouca quando Édipo, sabendo do desafio, se apresentou em Tebas, depois de uma jornada atribulada. Entre outros episódios, matou pelo caminho, sem saber que se tratava do seu pai, um homem de nome Laio com quem se tinha cruzado e o mandara sair da frente.

Édipo não sabia esta e outras coisas, como mais à frente veremos... Mas agora ali estava ele a proclamar convictamente saber que resposta dar à Esfinge E esta era bastante simples: o Homem.

Só ele tem quatro patas, quando gatinha em criança, serve-se de duas para andar na idade adulta, e de três quando é velho e é obrigado a usar uma bengala.

A Esfinge cumpriu a sua parte do acordo. Ao ouvir as palavras de Édipo, lançou-se de um precipício. Um sentimento de alívio e uma nova esperança encheram os corações dos tebanos.

  

Édipo veio, mais tarde, a tornar-se rei de Tebas e, tal como os oráculos tinham previsto, no seu trágico e atribulado percurso viria a casar,  sem o saber, com sua própria mãe, a rainha Jocasta, pois Édipo não tinha sido criado pelos seus pais naturais. E foi numa situação de desespero, numa altura em que a peste devastava Tebas, que a verdade lhe foi revelada pelos oráculos, a quem tinha recorrido em busca de melhores novas.

Sentindo-se culpado por não ter reconhecido o pai no homem que tinha morto e a mãe na sua amante, Édipo cega-se, furando os olhos, depois de ter amaldiçoado os seus filhos, enquanto sua mãe se suicida.

Deposto e substituido por Creonte, a quem antes tinha valido,  Édipo pediu-lhe então que o exilasse, suplicando-lhe ainda que tomasse conta dos seus filhos. E assim foi...   

 Sófocles pegou no Mito e transformou-o em Literatura e Teatro, fazendo-o chegar até nós através da sua obra prima " Édipo-Rei". Mas foi Szigmund Freud, o pai da psicanálise, quem popularizou o seu nome com a criação da Teoria das Neuroses, na qual o  " complexo de Édipo " desempenha um papel central. Este seria um conflito que todos nós enfrentamos enquanto crianças, ao entrarmos na " fase fàlica ", consistindo numa atracção sexual inconsciente do filho pela mãe acompanhado por um sentimento de  repulsa face ao pai que pretende substituir. No caso das´raparigas usa-se a expressão " complexo de Electra ".

 Da superação deste conflito, dependeria em grande parte a nossa futura sanidade mental .

CONTOS E LENDAS

 

A LENDA DE VIRIATO E DO GENERAL GALBA

Depois de muitas lutas, já esgotados, os chefes lusitanos decidiram propor a paz aos ocupantes romanos. Assim se estes lhes dessem terras férteis nas planícies, abandonariam as armas e a resiatência

Um chefe romano chamado Galba fingiu aceitar a proposta e ofereceu-lhes um local esplêndido na condição de entregarem as armas. Mas quando os viu espalhados por uma zona sem esconderijos e já sem hipóteses de se defenderem, esqueceu a palavra dada, cercou-os, matou nove mil homens e, não contente com isso, aprisionou mais de vinte mil guerreiros feitos escravos er enviados para a Gália ( França )

Galba pensava que a notícia desta vitória seria muito bem recebida em Roma e talvez até estivesse à espera de alguma recompensa. Também pensava que a violência do seu ataque tinha destruído para sempre a resistência dos Lusitanos. Afinal enganou-se redondamente.

 

As autoridades romanas davam muito valor às vitórias militares mas exigiam lealdade na guerra e respeito pelos inimigos. Quando souberam que Galba mentira aos Lusitanos para os vencer à traição e que atacara homens desarmados, homens que tinham confiado na palavra de um chefe romano, ficaram indignados. Em vez de recompensas, Galba foi chamado a Roma e julgado em tribunal. Nunca mais voltou à Península Ibérica.

Quanto ao efeito da violência bruta sobre os Lusitanos, foi exactamente o contrário do que Galba esperava. Em vez de ganharem medo, ganharam raiva contra o inimigo. Um dos homens que conseguiram escapar à carnificina tomou a seu cargo a vingança e a revolta. Chamava-se Viriato. Dois anos mais tarde já tinha consigo um exército de milhares de homens vindos de vários castros; desencadeou ataques sucessivos contra os Romanos, alcançando tantas vitórias que passou à história como um grande herói, um chefe invencível.

  

Ninguém sabe ao certo quando nasceu Viriato nem a que família pertencia. Segundo a tradição, durante a juventude terá sido pastor nos Montes Hermlnios, que hoje se chamam Serra da Estrela (1).

Há quem diga que Viriato participou desde muito novo em assaltos-relâmpago às povoações dominadas por romanos. E que já então se distinguia pela agilidade, pela força e pela inteligência guerreira.
No entanto, foi um dos homens que acreditaram nas promessas de Galba e desceram à planície na intenção de se instalar e viver em paz numa terra fértil. Assistiu ao ataque traiçoeiro; não pôde lutar porque não tinha armas, mas conseguiu fugir.

Depois do massacre, todos os lusitanos sobreviventes regressaram aos seus castros nas montanhas. A pouco e pouco reorganizaram-se, fabricaram armas e prepararam o contra-ataque.

 

No ano 147 a.C. dez mil lusitanos em fúria avançaram para sul e dirigiram-se a uma zona dominada pelos Romanos.

Queriam saquear as povoações e vingar a morte dos companheiros, mas quando menos esperavam perceberam que estavam cercados à distância por um anel de soldados inimigos. Que fazer?

Os chefes, para evitarem nova carnificina, propuseram-se ir negociar a rendição. Viriato opôs-se com veemência. Erguendo a voz, lembrou:

- Os Romanos não respeitam promessas. Enganaram-me uma vez, não me tornam a enganar. Comigo não contem para negociações. Prefiro lutar ou morrer.

O discurso e a firmeza impressionaram toda a gente, sobretudo os outros chefes. E Viriato continuou:

- Se não podemos vencê-los pela força, vencê-los-emos pela astúcia. Ora oiçam o meu plano.

 

Propôs-lhes então o seguinte: os homens que combatiam a pé deviam formar grupos e a um sinal combinado disparar em todas as direcções e romper a barreira que os cercava sem dar tempo aos inimigos de se organizarem.

- Enquanto vocês fogem, eu e os outros cavaleiros caímos sobre eles ora de um lado ora de outro, de forma a derrotá-los e a proteger a vossa fuga.

O plano foi aceite; faltava combinar o sinal.

- Fiquem atentos. Quando eu montar a cavalo, já sabem... é ordem para arrancar.

Pouco depois ecoavam gritos de guerra pelos campos, zuniam setas e lanças, por toda a parte se ouvia o tinir das espadas. Os romanos não estavam à espera daquela táctica-relâmpago e, tal como Viriato previra, desnortearam-se.

  

Muitos grupos de peões romperam o cerco e desapareceram, enquanto os bravos   

cavaleiros lusitanos, apesar de estarem em minoria e de possuírem armas mais fracas,  lutavam sem cessar.   

O campo de batalha ficou juncado de mortos, o próprio general romano perdeu a vida,

mas não se pode falar de vitória ou derrota. Neste confronto, Viriato, mais do que vencer os Romanos, salvou os Lusitanos. A partir de então foi reconhecido e amado como chefe máximo por todas as tribos.

As mulheres sonhavam com ele, os homens admiravam-no, acatavam as suas ordens e seguiam-no com tanto entusiasmo e convicção que durante anos lançaram o terror entre as hostes inimigas. Viriato parecia invencível. E, de facto, em guerra aberta ninguém o derrubou.

No ano de 139 a.C. Viriato foi assassinado à traição, quando dormia na tenda, por três homens da sua tribo que os Romanos tinham aliciado e subornado. Os Lusitanos choraram longamente a perda daquele chefe querido e ficaram muito enfraquecidos. Quanto aos assassinos, parece que não chegaram a obter nenhuma recompensa pelo crime. Segundo consta, foram recebidos com desprezo pelo chefe romano, que lhes terá dito «Roma não paga a traidores».

É engraçado que tudo o que sabemos a respeito deste homem que os Portugueses consideram como o primeiro dos seus heróis foi escrito por autores romanos. Impressionados pela personalidade forte, austera e recta do chefe lusitano, impressionados também pelo imenso valor que demonstrava na guerra, escreveram vários textos elogiosos sobre ele. Apesar de serem adversários, foram os Romanos que deram a conhecer ao mundo a figura de Viriato.

 

Fonte : " Portugal História e Lendas "

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

CONTOS E LENDAS

LENDA DO " VAI-TE COM O DIABO! "

 

A Lenda do Vai-te com o Diabo faz parte da  tradição oral da ilha Graciosa, arquipélago dos Açores, e refecte os medos e as crenças de um povo supersticioso e ainda muito ligado ao misticismo e ocultismo.

Reza esta lenda que  uma mulher de poucas posses que vivia na localidade do Guadalupe, ia casar uma filha dentro de poucos dias.

Ultimavam-se os preparativos, cozinhava-se o pão, faziam-se os doces, assavam-se as carnes, preparavam-se as coisas para um casamento feito em casa à moda antiga, como era normal nesses tempos.

Com todos estes afazeres a pobre mulher já tinha gasto mais dinheiro do que as suas parcas posses lhe permitiam. Tendo faltado um  ingrediente importante para a boda, a filha foi junto da mãe pedir-lhe mais dinheiro para o ir comprar. Já farta de tantos gastos, meio chateada, meio furiosa, a mãe virou-se para a filha e vociferou : "Vai-te com o diabo, rapariga, que me levas tudo o que tenho!"

Era um desabafo e ninguém prestou atenção a estas palavras. No entanto e como a rapariga nunca mais voltava , começaram a achar estanho e puseram-se à procura dela.Mas  não a encontraram nem nas imediações nem nos caminhos que ela deveria ter percorrido.

Os vizinhos da vila do Guadalupe foram alertados e imediatamente todos se puseram à procura dela por todos os lados da vila, de casa em casa, no porto, nos chafarizes, em casa do noivo que também participava na busca, nos moinhos, palheiros, em todos os locais possíveis.

Depois da vila, expandiram as buscas para as pastagens e para a serra onde, junto do lugar denominado Caldeirinha, encontraram aquilo que poderiam ser os primeiros vestígios. Com o ojectivo de encontrarem a rapariga, desceram rapidamente a perigosa vereda.

Na descida encontraram as galochas da rapariga em cima de uma rocha, fazendo com que todas as dúvidas se dissipassem.

Se ela não estava ali, pelo menos devia estar por perto. E se não estava em local visível, só podia estar dentro da Caldeirinha. Foram então à vila buscar cordas suficientemente fortes para aguentarem o peso das pessoas, e atando-as à volta da cintura o noivo desceu à procura da sua amada.

Estavam todos ansiosos pois muitos acreditavam que a caldeira poderia ser uma das entradas do Inferno. Cheio de medo, aos poucos o noivo foi descendo pela abertura estreita da caldeira, um buraco negro e medonho.

Foi lá no fundo que encontrou a rapariga, a tremer de medo e com um ar apático. Amarrou-a às cordas que levara consigo e os dois foram puxados pelas pessoas que lá em cima ansiosos os observavam

Tinham-na encontrado, estava viva e saudável, e podiam assim retomar o casamento. Quando perguntaram à rapariga o que se tinha passado e como tinha ido ali parar, ela pura e simplesmente não sabia responder . Foi então que a mãe se recordou da blasfémia que tinha dito ao mandá-la para o diabo. O mesmo  que, acreditam os povos, anda sempre à procura de almas para levar para o Inferno, e  que logo a levou consigo, escondendo-a nos fundos da Caldeirinha

 

Coligido e adaptado

 

CONTOS E LENDAS

A LENDA DA ESCOLA DE SAGRES

A Escola de Sagres constitui um dos grandes mitos da história portuguesa, resultante de deficientes interpretações de crónicas antigas.
Com base no pressuposto de que o infante D. Henrique convidou um cartógrafo catalão para se colocar ao seu serviço, muitos consideraram (logo a partir do século XVI, com Damião de Góis), que teria havido uma Escola Náutica em Sagres, fundada pelo Infante D. Henrique, por volta de 1417, no Algarve.
A escola, centro da arte náutica, teria assim formado grandes descobridores, como Vasco da Gama e Cristóvão Colombo. Após o seu regresso de Ceuta, o Infante D.
Henrique fixou-se em Sagres, na Vila do Infante, rodeando-se de mestres nas artes e ciências ligadas à navegação. .Aí cria uma Tercena Naval a que é comum chamar-se a " Escola de Sagres."
De facto, o que se criou não foi uma escola no moderno conceito da palavra, mas um local de reunião de mareantes e cientistas onde, aproveitando a ciência dos doutores e a prática de hábeis marinheiros, se desenvolveram novos métodos de navegar, desenharam cartas e adaptaram navios.
De acordo com os cronistas da época, largavam todos os anos dois ou três navios para as descobertas. O primeiro a mencionar a existência de uma escola foi o historiador inglês Samuel Purchas no século XVII, embora já antes Damião de Góis aludisse à ideia de uma Escola patrocinada pelo Infante. O mito foi depois consolidado por historiadores portugueses e ingleses, até que Luís de Albuquerque, "Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses" (Lisboa, 1990, Páginas 15 a 27), demonstrou tratar-se de um mero mito. A verdadeira Escola de Sagres, era a escola da vida dos marinheiros portugueses. Uma escola feita de saberes acumulados, que nos foram legados por povos diferentes que por cá se instalaram, dos romanos aos muçulmanos, a partir dos quais  soubemos fazer a síntese e as adaptações que nos permitiram encabeçar a revolução técnica marítima  e comercial que foram os Descobrimentos Portugueses.
Fonte : Wikipédia- Adaptado.

Contos e Lendas

 O MILAGRE DE OURIQUE

 
A Batalha de Ourique é um episódio simbólico para a monarquia portuguesa. Conta-se que nesse dia, D. Afonso Henriques foi pela primeira vez aclamado rei de Portugal,.Tudo aconteceu no dia 25 de Julho de 1139, no campo de Ourique .
Aí  se defrontaram o exército cristão e os cinco reis mouros de Sevilha, Badajoz, Elvas, Évora e Beja mais os seus guerreiros, que ocupavam o sul da península.
A lenda diz-nos que pouco antes da batalha, D. Afonso Henriques foi visitado por um velho homem,  que  já tinha visto em sonhos, que de forma enigmática, lhe anunciou  uma profética vitória contra os mouros. Para que tal acontecesse, o rei deveria, na noite seguinte, sair sozinho do acampamento, mal ouvisse a sineta da ermida onde o velho vivia. O cavaleiro assim fez, mas assim que deixou de avistar os seus homens, foi surpreendido por um raio de luz que progressivamente iluminou tudo em seu redor. Com dificuldade e aos poucos ,consegiu distiguir , por entre a imensa claridade, o Sinal da Cruz e a imagem de Cristo crucificado.
 
Emocionado, D. Afonso Henriques ajoelhou-se perante a voz do Senhor que nesse instante lhe prometeu a vitória naquela e em outras batalhas. Ao povo português reservava grandes desígnios e tarefas. 
Por intermédio do rei e dos seus descendentes, Deus fundaria um império através do qual o Seu Nome seria levado às nações mais estranhas.
 D. Afonso ainda a pensar no que lhe tinha acontecido regressou cheio de confiança ao acampamento .
No dia seguinte,os portugueses, em menor número mas contagiados pelo entusiasmo do seu rei, puseram os os mouros em fuga. perseguindo-os e matando-os.
Após tão milagrosa vitória, conforme reza a lenda, D. Afonso Henriques decidiu que a bandeira portuguesa passaria a ostentar cinco escudos ou quinas em cruz, representando os cinco reis vencidos e as cinco chagas de Cristo, carregadas com os trinta dinheiros de Judas.
Fonte : Lendas de Beja (adaptado)
 

 

CONTOS E LENDAS

 A LENDA DE S. MARTINHO

Segundo reza a lenda, Martinho era um valente soldado romano que depois de uma vida de combates regressava finalmente a casa, algures em França… A certa altura, quando atravessava as regiões frias dos Alpes montando o seu cavalo, sob forte vento e chuva, surgiu-lhe do nada, um homem com aspecto miserável, vestindo roupas gastas e rotas, que tremendo de frio lhe pediu esmola. Martinho vestia a roupa da época para os homens do seu ofício: a grossa capa vermelha com que se cobria  era o seu melhor agasalho. Infelizmente Martinho pouco tinha para lhe dar. Mas sentiu que mesmo assim podia aliviar o sofrimento do pobre homem. Cortou então a sua capa ao meio, oferecendo uma das metades ao mendigo. Diz a lenda que nesse momento, a chuva parou e as nuvens desapareceram para dar lugar a um sol radioso. Num repente o Inverno fez-se Verão…
E é por isso que todos os anos,  por esta altura, mesmo sendo Outono, durante cerca de três dias o tempo fica mais quente e agadável: é o Verão de São Martinho.
A História regista a existência de dois Martinhos, curiosamente ambos naturais da Polónia: S. Martinho de Tours, um Bispo Francês, e S. Martinho de Dume, arcebispo de Braga.
O primeiro nascido no ano 306 e o segundo no ano 500. Por isso não sabemos exactamente quem homenageamos no dia 11 de Novembro. Mas pouco importa.
Festa é festa...mesmo que chova.

CONTOS E LENDAS

 A Lenda do Gigante Adamastor

 

Segundo a lenda, Adamastor era um gigante filho da deusa Terra , que se  revoltou, com outros gigantes, contra Zeus, o Deus supremo dos Gregos. Furioso, Zeus  fulminou-os com um raio condenando-os a vaguear de costa em costa. Foi assim que Adamastor conheceu Thetis, uma ninfa dos oceanos, mãe de Aquiles, e por ela se apaixonou. Mas o Gigante sabia que era feio demais  para conquistá-la e por isso decidiu resolver o assunto pela força. Apavorada, Dóris mãe de Thetis, tentou desesperadamente convencer a filha a aceitar o Adamastor como companheiro mas perante a recusa desta, teve de encontrar  outra solução. Depois de muito pensar, mãe e filha decidem, então, com a ajuda de Zeus,montar uma armadilha ao Gigante, dizendo-lhe que Thétis ficaria com ele, se ambas fossem poupadas aos males da guerra.
 Cheio de esperanças, Adamastor põe fim à guerra e pede um encontro com Thétis. Ela aparece-lhe, mas quando este a abraça e beija, vê-se de repente agarrado ao cume de um monte acabando por se tornar  numa parte desse monte: o Cabo das Tormentas. Esse mesmo.O cabo que tanto assombrou a imaginação dos marinheiros portugueses durante a época dos descobrimentos. 

 

Contos e Lendas

A Lenda da Atlântida e dos Açores

 

A Geografia...

Segundo a lenda, há muito tempo teria existido um grande continente, chamado Atlântida.Situava-se no meio do oceano que recebeu o seu nome-o Atlântico- em frente às Portas de Hércules de que nos fala a Mitologia Grega. Essas portas erguiam-se no sítio onde hoje está o Estreito de Gibraltar, fechando por completo o Mar Mediterrânico.

A História ...

A Atlântida teria sido  um paraíso, feito de exóticas paisagens, com um clima suave, e florestas de árvores  gigantescas , ao lado de extensas e férteis planícies. Os animais eram dóceis mas fortes. E havia as cidades, grandes e pequenas  Os atlantes, eram senhores de uma civilização muito avançada. Palácios e templos cobertos a ouro e outros metais preciosos destacavam-se numa paisagem onde o campo e a cidade conviviam em harmonia. Jardins, fontes, ginásios, estádios, estradas, aquedutos, pontes... estavam por todo o lado e á disposição de toda a gente. E da abundância nasceram e prosperaram as artes e as ciências. Eram muitos os artistas, músicos e grandes sábios.

 

Mas não podiam estar completamente tranquilos. Não estavam sózinhos no mundo. Por isso apesar de prezarem a paz nunca deixaram de praticar as artes da guerra, já que vários povos, movidos pela inveja, cobiçando a sua riqueza, tentavam conquistar o continente. As vitórias obtidas contra os invasores foram tão grandiosas que logo despertaram  o orgulho e a ambição de passar ao contra ataque. Já não para defender mas para aumentar o território da Atlântida. Assim o poderoso exército Atlante preparou-se para a guerra e aos poucos foi conquistando grande parte do mundo conhecido de então, dominando vários povos e várias ilhas em seu redor, uma grande parte da Europa Atlântica e parte do Norte de África. Os seus corações até ali puros foram endurecendo como as suas armas. Enquanto se perdia a inocência nasciam o orgulho, a vaidade, o luxo desnecessário, a corrupção e o desrespeito para com os deuses. Poséidon, o maior de entre todos, convocou então os outros deuses para julgar os atlantes tendo decidido aplicar-lhes um castigo exemplar. Como consequência deram-se terriveis desastres naturais

 

As terras da Atlântida tremeram violentamente, o dia fez-se  noite, e de seguida apareceu o fogo que queimou florestas e campos de cultivo. O mar inundou a terra com ondas gigantes, engolindo aldeias e cidades. Em pouco tempo a  Atlântida desaparecia para sempre. No entanto, as suas  grandes montanhas não teriam sido completamente cobertas pelas águas. Os altos cumes ficaram acima da superfície dando origem, segundo a lenda, às nove ilhas dos Açores. Nesses cumes teriam sobrevivido alguns atlantes, que se espalharam pelo mundo fora, deixando descendência...