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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

OPINIÃOI

Vivemos dias tão estranhos e decisivos que me apeteceu escrever outra vez E como o sítio "mais  à mão" era este, aqui estou de volta.

PERPLEXIDADES ? AONDE ?

 

Dizia Marx dois séculos atrás, que o espectro do comunismo pairava ameaçadoramente sobre todos os países da Europa. Por cá é pior, é o espectro da indigência, da inércia mental e cultural que nos tolhe há séculos. Não atamos nem desatamos. Nunca foi uma questão de dinheiro, por cá houve-o a rodos, mas de gente, de mentalidades, de hábitos e, sobretudo, de carácter. Alguns chamam-lhe identidade. Nada, por isso, a que não estejamos há muito habituados.

 Mas que diabo, há tempo de mais que são sempre os mesmos figurões, as mesmas soluções, e os mesmos desvarios que se repetem e nos conduziram até aqui. Apáticos, atordoados pela prestação da casa, ninguém parece dar por nada.Também aqui nada de novo. Mas, o pior é que os últimos acontecimentos ameaçam “irremediavelmente” tornar este sítio num lugar sem remédio. Isto a propósito de um caso tão corriqueiro mas, no presente momento, tão significativo como é o das as eleições para a Assembleia da República.
Pelos vistos, bastou uma atitude, muito suspeitamente canhestra, do nosso supostamente génio da política Cavaco Silva para que do empate técnico entre os 2 principais candidatos à vitória se passasse para uma vitória pouco menos que retumbante do PS.
Para a nossa “intelligentsia,” feita dos directores de jornais e colunistas do costume, o gesto presidencial foi tão estranho que a palavra perplexidade passou a entrecortar o café com nata de todos os dias e a encher colunas e editoriais.
O povo indignou-se e, de súbito, e aparentemente  esqueceu-se de 4 anos de governação desastrosa, descobrindo, num piscar de olhos, em Manuela Ferreira Leite uma chusma de vilanagens, que ainda há dias cabiam que nem luva a José Sócrates. Foi, pelo menos, isto que os media, que ainda formatam muita cabeça, e todas as sondagens deste país, nos quiseram transmitir.
A respeito de Manuela Ferreira Leite, de velha a feia e mal penteada, ouviu-se e leu-se de tudo, às vezes apimentado pelos sorrisos condescendentes e malandros nos lábios dos comentadores da praxe.
Enquanto isto, nos mesmos media, Sócrates era louvado e quase que içado à condição de semi-deus, enquanto exultava por ter, trocado a tempo, a pele do lobo feroz que tudo quer e tudo pode, pelos tules e rendas de uma Branca de Neve nariguda de voz fina, sempre pronta a negociar… com a máxima delicadeza. Isto vê-se, particularmente, no brilho daquele olhar auto-satisfeito. O olhar  dos que sabem que mais uma vez com muita arte e engenho enganaram os otários. A licenciatura rasurada e domingueira é Pré-História e o caso Freeport ainda acabará como romance foleiro escrito por um ghost writer qualquer. Isto se Sócrates se mantiver no poder. Hipótese que está longe de ser uma evidência e muito menos uma inevitabilidade, como se ouve por aí.
 Mas, o mais assustador é todos os nossos sábios parecerem ter a resposta errada para a mais inquietante das perguntas: como pode alguém, ainda por cima um Presidente da República, ser tão estúpido? Como pode alguém dar simultaneamente um tiro no pé e, no processo, atingir de morte os supostos correligionários? E enquanto não acertam, entretêm-se com as mais hilariantes exigências. São tolos ou fazem-se. Amuam, fazem-se de virgens traídas, ou afinam os punhais. Todos exigem explicações de alguém que, diariamente, reafirmava a sua naturalidade e, sobretudo, não se achava no direito de intervir na campanha eleitoral por, de acordo com as suas próprias palavras, estar acima dos partidos. Resultado: a campanha acabou e já tem um vencedor – Cavaco Silva. Ou pelo menos, é o que ele pensa. Ele e a sua entourage.
Outros não lhe perdoam o assassinato de Manuela Ferreira Leite e do PSD quando tudo lhes parecia correr de feição. Mas, o mais preocupante é o facto de ninguém se ter lembrado que esta era a única jogada que o nosso esfíngico presidente podia jogar, para tentar a sua reeleição numa altura em que a figura de Manuel Alegre lhe começa a assombrar os pesadelos.
A " Mitologia do do Cavaquismo " : o grupo da sueca, os indefectíveis da Praia do Mindelo e de S. Martinho do Porto, a  gente que lá por Agosto peregrinava em direcção ao Algarve em homenagem ao chefe, está morta ou a contas com a justiça. Os outros, os sobreviventes, estão bem arrumados e distribuidos pelos mais altos cargos da administração e da gestão de empresas, e nem querem ouvir falar de política. Apenas se servem dela. E para isso, "noblesse oblige" lá vão aparecendo, de vez em quando, junto dos líderes que se vão sucedendo, para mostrarem que existem e que a sua presença ainda é apreciada.
Por onde param Valente de Oliveira, Leonor Beleza, João de Deus Pinheiro? `Para já não falar de Dias Loureiro, Isaltino de Morais e Oliveira e Costa. E os outros ? O PSD de hoje é tudo o que Cavaco sempre detestou. Do antigo não resta nada.E nestas, como noutra questões, Cavaco é um conservador, um nostálgico e, ao mesmo tempo, um realista que sabe que todas as épocas têm um fim.
O PSD he hoje é feito de gente de nome, de posto, mas sem obra ou profissão. Gente que nunca fez pela vida. Cavaco conta mais com os fura-vidas, com os patos-bravos, mesmo com naqueles que se transformaram em patos-enjaulados. Enfim, gente de família e confiança. Até na prisão.
Os velhos Barões, que Cavaco abominava, já não o preocupam tanto. Estão mais velhos que os velhotes dos Marretas e são muito menos irreverentes. Já nem conspiram.
Resumindo, o PSD é um escolho que só o atrapalha.
Por muitas afinidades e simpatias que existam entre Cavaco e Ferreira Leite, esta última é para ele “O Cardeal D. Henrique" do PSD.
O que não seria grave se Pedro Passos Coelho não fosse visto por Cavaco como a mais tenebrosa encarnação de D. Sebastião. Num tom mais irónico “ Todos para Alcácer Quibir “. "Jamais ".
De uma só cajadada, Cavaco acabou com as legislativas e deu inícío às unicas eleições que para ele contam: as Eleiçóes Presidenciais.
Cavaco sabe que só será reeleito num dos dois seguintes cenários: recuando e adoptando uma pose centrista, colocando os “supremos interesses do país acima de tudo" o que, por outra palavras, quer dizer mais ou menos ficar olimpicamente de braços cruzados enquanto o país se consome; ou qual Bonaparte, adoptando um conjunto de atitudes mais enérgicas e, por vezes, deliberadamente hostis, porque  só assim poderá manter a casa em ordem e fazer valer a sua parca autoridade. Enfim, mostrar que está vivo e pronto para os desafios mais próximos...
O primeiro cenário nunca se concretizará com a fulminante pulverização partidária que vem aí.
No segundo caso, o mais verosímil, Cavaco estará muito mais à  vontade, uma vez  alijado dos seus compromissos e  sentimentos com o seu partido de sempre, o PSD, para  agir e para se afirmar no meio deste “ Albergue Espanhol “ em  que este sítio se transformará após as eleições. Poderá, então, surgir como o nosso Zorro, o Homem  que a bem ou a mal fará da balbúrdia tranquilidade. E assim ficará na História... Boas intenções para  o principal obreiro deste nosso atoleiro chamado“ Modelo de Desenvolvimento Económico.”
O combate de Cavaco, uma vez posto de lado o PSD, já nem sequer é o PS.
Para esses, há certamente muita artilharia guardada, a ser usada na altura certa. Nessa altura, Sócrates poderá ver-se em maus lençóis. Cavaco acha-se Maquiavel e sabe esperar.
O principal inimigo de Cavaco chama-se Manuel Alegre. Daqui a dois anos no máximo, se não mudarmos agora, vamos  todos querer ver outros figurões à nossa frente. Nem que seja para variar. Por todo o lado cheira àquela 1ª República de que falam os livros de História.
Para vencer Cavaco, Alegre nem sequer tem de ser melhor... basta estar vivo...
Cá por mim, como professor, tenho memória, e vergonha na cara.
Nunca votaria num partido que conseguiu numa legislatura fazer tantos estragos numa instituição e numa classe como Sócrates, Caracoleta e a sua secretária Milú.
Tamanha sanha contra os professores não manifestou em décadas o abominável Salazar. E eu estava lá...era aluno. 
José Sócrates. o homem que fez render os fatos, o  corte de cabelo e a presença televisiva passeando-se pesaroso mas  disponível, pelos escombros de um PS Casa-Piano,  fê-lo numa legislatura …. a assobiar para o lado.
Mas não desesperem. Apesar do ar sulfuroso que se respira, apesar do cansaço, as sondagens são o que são. Podem não passar de " wishful thinking", quer dizer, podem ser apenas aquilo que aqueles que as encomendam, fazem ou simulam, aqueles que pensam que  tudo controlam e decidem, gostariam que fossem.
Às vezes, enganam-se e a mim que sou um votante como os outros, ainda ninguém me perguntou nada.... E por falar em aldabice, a maior das falácias, daquelas que já nem na Guiné-Bissau pegam, é  a de que somos todos obrigados a escolher entre a actual desprotegida do "Tiranossaurus-Rex- Que- Gosta- De- Pasteis-de Nata"  e o  "Pinóquio- que- já- foi- Lobo - e agora- é -a Branca- de- Neve", a pensar que nós somos todos anões.
Não acreditem e lancem-nos borda fora!
Há outras escolhas!
Até porque no que que diz respeito à Educação, eles há muito que já perderam...e são cada vez menos os que não o sabem, ou não querem saber.
 

A CHOLDRA

 

"OS HOMENS DO LEME"
Só um povo que não se preza, que vive por correspondência e deixou há muito tempo de pensar e agir, tolera ser governado e representado por esse mundo fora, pela mais risível, medíocre, incompetente e desavergonhada pandilha de arrivistas de que este país tem memória. Depois de todos termos corado com o deplorável espectáculo dado pelo primeiro-ministro, quando debitava o seu inglês técnico, tipo " bacon of the sky ", perante uma plateia de líderes europeus, que se contorcia de riso, ao ouvi-lo, sem perceber patavina, a propósito do suposto contributo pioneiro de algumas das nosssas empresas para o alargamento da livre circulação do espaço Schengen;
depois de termos visto e ouvido o mesmo personagem afirmar, convictamente e sem pestanejar, na TV perante os seus acólitos, que as tecnologias da informação estavam para o séc. XXI como a electricidade esteve para o século XVIII; foi a vez de Cavaco Silva enterrar definitivamente as esperanças daqueles que, estupidamente, ainda viam no homem um exemplo de competência e rigor que pairava acima da mediocridade instalada neste sítio.
Não me apetece falar da licenciatura domingueiramente tirada por Fax. Não me apetece falar do brilhantismo dos projectos de engenharia de barraca de que o nosso envergonhado agente técnico, tanto se orgulha. Não me apetece falar do Freeport, dos aterros sanitários ou dos painéis solares a electricidade. Não me apetece sequer falar do triste episódio da visita de Maria Cavaco a uma aula onde, supostamente, se ensinava Português como se fosse Castelhano, por já estarmos habituados a tais confusões históricas, linguísticas e geográficas. Mas a conferência de imprensa de ontem foi parola de mais para ficar calado.
O que me causou raiva, nojo, e uma absoluta certeza de que este sítio e esta gente, tão foleira, não têm emenda, foi o tom pedante e putativamente  irónico com que o “nosso” presidente se dirigiu aos jornalistas, depois de mais uma memorável passeata por terras turcas. Disse ele que não falava de política nacional no estrangeiro, e agora pasmem, corem ou chorem se quiserem, “ por não ser “ just"...” e logo esclareceu “justo”, para os outros jornalistas presentes. Não, não pensem que se tratou de uma simples algarviada. o homem pronunciou distintamente, como quem sabe do que fala, "jast". Pensava sem dúvida que estava a falar inglês, e do bom. Pelo menos deve ter-lhe soado a tal. E, na sua doidice, os jornalistas que, por dever de ofício, ali estavam, deviam representar principalmente o mundo anglo-saxónico ávido das suas palavras, opiniões ou conselhos . Não se acredita que um homem que exibe como feito principal do seu currículo académico um Doutoramento sacado a uma Universidade Inglesa, tão prestigiada internacionalmente como a figura em causa, não saiba que o termo Inglês para Justo, seja Fair e não Just, que na mesma língua quer dizer tão-só…apenas. A não ser que se trate de um neologismo ou de uma expressão caída em desuso como o presidente. E neste caso está bem. Mas não deixa de ser "armanço".
 Nas suas palavras, repito e passo a citar, o homem não falava “por não ser just”. E tinha razão, ninguém merece ouvir alguém falar assim.
Em inglês usa-se uma expressão para designar aqueles que fazem da estupidez uma medalha e, ainda por cima, se riem do feito. Chamam-lhe " inverted snobbery", o que é sem dúvida o caso, se nos lembrarmos do ar auto-satisfeito com que a alarvidade foi proferida.
O homem que, há duas décadas, contratou a actriz Glória de Matos para o ensinar a falar, deve no processo ter perdido algo. Consegue falar mas já nem sabe o que diz.
Aposto que, por esta altura, como as coisas estão, já todos sentimos saudades daquele que, de tão embrenhado e confuso com os seus próprios números, mandava os jornalistas fazer as contas...
Se pensamos dobrar o " Cabo das Tormentas "  com gente desta ao leme, mais nos vale rezar e ter os coletes de salvação à mão.
Se não acreditam vejam...A reputação e o carácter.
 
Cantinflas no Parlamento Europeu / A Mão de Judas

O Naufrágio de quem ? II

De tanto ler História, pareço bruxo. Pelos vistos, os meus receios não eram de todo infundados.

Agora, temos uma nova versão do velho memorando. São as tréguas. Isto quando, no dia anterior, a Ministra afirmava, no Parlamento, estar disposta a negociar tudo, excepto as quotas e a divisão da carreira. E contudo, pasme-se, nem sequer teve necessidade de suspender o actual modelo de avaliação para que ,de bandeja ,os sindicatos lhe oferecessem aquilo de que ela mais precisa . Tempo. Só o tempo será capaz de diluir toda esta atmosfera de contestação e luta.

Por isso não percebo. Receio bem que a velha táctica leninista de " um passo em frente , dois passos atrás " esteja a ser recuperada. As negociações não deveriam, de acordo com o mandato que os professores conferiram aos sindicatos, ser apenas retomadas caso a tutela suspendesse a execução do actual modelo de avaliação?

Reunir para quê ? Para discutir as únicas questões que para a Ministra estão acima de qualquer negociação? Quais são, então, os sinais de abertura de que falam os sindicatos e que os levam a suspender as greves previstas? Será possivel, com estes passos de bailarina, motivar as pessoas para encararem  formas de luta mais duras, como as greves de zelo às avaliações? Porquê desaproveitar o momento ? A imaginação esgotou-se, precisam de tempo para pensar ? É uma questão de calendário? Continuo a não perceber. De tanto esperarem pela fruta madura vão acabar por vê-la apodrecer. A não ser que eu esteja enganado. Tudo isto pode ser apenas encenação. Uma encenação de que ambas as partes estão conscientes. Mas pode ser também que professores e sindicatos estejam a falar de coisas diferentes. Para mim, com as anunciadas tréguas acabaram apenas de dar mais  um sopro de vida a um cadáver já anunciado. Que sejam os sindicatos a fazê-lo,  deve no mínimo fazer-nos pensar.

 

O Naufrágio de quem ?

Esclarecimento:

Juro - vos ! Este blog foi desde o início pensado como um blog de conteúdos ligado à aprendizagem da História. Mais ou menos académico e contido. Não pôde ser.

Num momento em que tudo parece estar em causa no ensino em Portugal,  ser professor é acima de tudo intervir como sujeito da mudança. Por isso não se admirem se, nos próximos tempos, surgirem entremeadas com figuras Históricas, alguns figurões do nosso presente.

NÁUFRAGOS

De repente tudo ficou mais claro. Bastou a comovente entrevista dada ao "Público" para finalmente percebermos tudo. A senhora foi anarquista. Diz-nos ela, na sua tola ingenuidade, que nos tempos em que este país estava em festa, ela coitada, descontente com o que se passava à sua volta gastava a sua juventude a dobrar o jornal " A Batalha " , o órgão central de um movimento anarquista enterrado nos princípios do séc. passado. Pelos vistos ressuscitou por cá nos anos setenta. Eu que, entretanto, andava embrenhado noutras lutas confesso que não dei por nada. A não ser pelo jornal, que de resto por muito bem dobrado que fosse, nem os mais tresloucados compravam. Na referida entrevista , a nossa muito esgotada ministra mistura anarquismo e  socialismo utópico, Bakunine e Proudhon, revelando um ecletismo e uma criatividade ideológica só ao alcance dos grandes pensadores. As memórias perdem-se. O carácter permanece. Pequenos lapsos. Afinal de contas, o nosso engenheiro tinha há tempos afirmado, e passo a citar “ As  novas tecnologias de informação estão para o séc. XXI como a electricidade esteve para o séc. XVIII “ e ninguém deu por nada. Ainda bem que os médicos não tiram o curso por fax e ao domingo, senão teríamos gente a receitar sangrias para quem precisa de hemodiálise. Mas não pensem que faço humor e que não valorizo devidamente tão nobre e desinteressado gesto militante. Porque tendo em conta a história recente deste país, o mais natural é que essa então jovem idealista, de dobra em dobra , pensasse para os seus botões: ” Gozem, gozem… mas se não arranjar umas bombas para rebentar com isto , quando for grande faço-o.Nem que seja de decreto em decreto”.  E lá foi ela de faca nos dentes, escondendo timidamente o seu diploma do 5º ano dos Liceus , de Curso complementar em Curso Complementar, de Pós - Graduação em Pós - Graduação , sempre sujeita à mais rigorosa avaliação da época, até ao ambicionado Douturamento. Tudo isto , frequentando provavelmente os melhores Institutos e Universidades do País e do Mundo.
Há que reconhecer-lhe algum mérito pela tenacidade e persistência.
Mas sempre ouvi dizer que quem passa o melhor tempo da sua vida a dobrar jornais é bem capaz de outras malandragens. Até porque a julgar pelas últimas declarações, desta vez no Parlamento, os danos cerebrais parecem ser irreversíveis. Só assim se compreende que teimosamente nos continue a chamar totós. Nesta altura, a confusão mental já deve ser grande. Será que a senhora pensa que nós pensamos que ela pensa que para o ano ainda cá está? Cá para mim, atendendo aos últimos desenvolvimentos ,ser-lhe–ia mais fácil ser escolhida para comandante-em-chefe das “ forças aliadas “ no Iraque do que ocupar  novamente o cargo de Ministra da Educação. Pelo menos, podia finalmente exibir um currículo à altura. E já agora, se pensamos que Sócrates está a gerir a crise em termos eleitorais é porque se calhar somos mesmo totós. Desfeita a miragem da maioria absoluta, Sócrates nunca se recandidatará. A vocação dos tiranetes nunca foi negociar.  Nem governar em minoria. Fora da velha lógica salazarenta, do “ discutam-se os problemas, ouçam-se as opiniões e finalmente faça-se o que eu quero “ não são ninguém. E como nunca tolerariam ser reconduzidos à situação de zé- ninguém, não duvidem que já prepararam o futuro. Na Europa há um lugar para esta gente. Foi feito de propósito. Chama-se Parlamento Europeu. Lá fazem-se fortunas e expiam-se todos os pecados.
 Já consigo ver a Euro-deputada Maria de Lurdes Rodrigues  a dissertar, naquele dinâmico e produtivo espaço transnacional,  sobre questões tão fracturantes como a problemática do pastel de bacalhau no contexto da fast–food, ou o brilhante José Sócrates entretanto já professor jubilado em 20 Universidades do Estado de Wisconsin ( U . S . A. ) , defendendo as virtudes da engenharia de vão de escada na paisagem urbana e no “ tecido empresarial Português".
 Eles para o ano já cá não estarão.
Entretanto enquanto outros governos não chegam, pretendem continuar com a actual devastação. Chamam-lhe sair com dignidade. Quem vier atrás que arrume a casa.” O que não serve para os anos seguintes é o que melhor se pode arranjar para este ano.” ou 
  “ desde que se mantenham as cotas e as castas queremos lá saber ”  -  acenam generosamente à navegação, talvez à procura de náufragos na nossa maré.
   “ Qualquer coisa nos serve” -  cantarolam. É um jogo de tolos para tolos. Se o aceitarmos, os danos serão irremediáveis. O cansaço e semi-desistência instalar-se-ão e acabaremos por passar o resto da vida a chorar  por quase  termos conseguido…  
 Se não virmos isto, nada terá valido a pena. Se agora cedermos, não estaremos a fazer mais do que branquear as políticas que combatemos e nos uniram nestes três últimos anos. Se nos deixarmos atar a qualquer acordo, que ponha em causa, a cada vez mais urgente  revogação do actual estatuto, perderemos tudo. E lembrem–se que o que aqui está em jogo não é o futuro dos sindicatos, mas o nosso próprio futuro. Com sindicatos ou não.
 

 

Mais um Tsunami...

Os governantes da mais sul-americana das republicas europeias não têm definitivamente vergonha. Desta vez , resolveram ressuscitar o cadáver de Goebbels para, mais uma vez , tentarem manipular as consciências de um povo que tomam  por embrutecido.

Mas tanto? È bem possivel.

Lembrem-se que falamos de pessoas  que viram  em manifestações públicas tâo esmagadoras e reveladoras como foram as nossas, alegres piqueniques de gente parva e ociosa.

Enganam-se. A política do " uma mentira mil vezes repetida é uma verdade ", que fez a fama e o proveito do Ministro da Propaganda do regime de Hitler, a que, no dia de hoje, recorreram, ainda em nome do Socialismo, os mediocres e pouco imaginativos burocratas do Ministério da Educação, é apenas mais um pequeno acto suícida com pré-aviso. Chamaram gota de água ao tsunami que os vai afogar e não sabem que se dirigem para as ondas. A verdade é que com tanta reviravolta já nem sabem para onde vão. Estão tontos, coitados...

Pelo meu lado nem preciso de argumentar. Quando se pretende descredibilizar a maior greve de sempre de um grupo profissional, afirmando que as escolas estão abertas e a funcionar, esquecendo-se sibilinamente de referir, que estão vazias, já não é apenas má fé ou inépcia política. É o desnorte absoluto dos que se já sentem a prazo. Dos que sabem que a guia de despedimento vai a caminho assinada por todos os professores deste país.

Coisa rara, esta foi sem dúvida a verdadeira reforma que este governo introduziu na classe: Uniu-os  na defesa da escola pública e na luta por um estatuto que corresponda à  importância que a sociedade atribui à função docente. Nem mais, nem menos.

Que este vai ser um processo longo e desgastante já o sabíamos. Até porque o que está verdadeiramente em causa não é nem nunca foi  a questão da avaliação.

O modelo proposto pelo Ministério é tão desadequado e absurdo que se  tornou numa anedota nacional. Já ninguem defende aquela que era a pérola do novo estatuto. A menina dos olhos dos nossos governantes. Por isso o deixaram cair a troco de nada. Nunca o conseguiriam impor e muito menos aplicar.

Depois da vitória de hoje, é tempo de sermos claros. Porque todos sabemos que nesta luta o que importa são outras coisas.

 É a politica educativa , é  o futuro da escola pública , é a tentativa de institucionalizar um sistema de castas numa carreira que sempre foi única , porque únicas e cooperativas são as funções que desempenhamos.

São as quotas... é no fundo tudo aquilo que consideramos ser injusto,depreciativo e insultuoso. Podem confirmar que está tudo no Estatuto.

Agora mais que nunca é preciso não desistir. Nem mesmo relaxar.

A próxima luta será sempre a mais importante. Encarem-na como um bom e seguro investimento. Bem melhor que jogar na Bolsa...

ÚLTIMA HORA II

                  Grelhas de Avaliação-fotografia aérea

 

O caixote do lixo da História está mais cheio. Preve-se que nos próximos dias dêem entrada neste anexo do passado, as milhares de resmas de papel gastas com aquilo a que em tempos se chamou de modelo de avaliação de professores. Consta-se  que devido à falta de papel, estas virão devidamente embrulhadas no nado- morto Estatuto da Carreira Docente...

ÚLTIMA HORA...

 

Hoje, dia 8 de Novembro, os professores portugueses saem mais uma vez à rua, para fazer História, na defesa da sua profissão, contra os coveiros do ensino público. Esperam-se em Lisboa mais de 100.000 vozes, roucas de indignação, protestando contra a prepotência, a arrogância e o desprezo a que esta classe tem sido votada pelo poder.
A ignorância , a mediocridade , e o despotismo dos tiranetes, desta gente pequena, feita grande pelos obscuros interesses que amarram este país e este povo…NÃO PASSARÃO!
E cá para nós...eles não gostam de História. Feitas as contas, será a única coisa que não conseguirão travar.