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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

"ANJOS E DEMÓNIOS"

ISABEl, TORQUEMADA E OUTROS INOCÊNCIOS...

 

 
 
A febre da caça às bruxas,  judeus, muçulmanos e outros hereges foi uma "doença "que contaminou o mundo católico entre os séculos XII e XVIII. 
As primeiras manifestações de intolerância religiosa começaram bem cedo, com as perseguições e massacres de que foram alvo os Cátaros ou Albigenses no século XII.
Prosseguiram no século seguinte com as execuções em massa dos Templários, e atingiram o seu pico no período da Contra-Reforma, aberto pelo concílo deTrento em 1545.
  
O mesmo que instituiu o index de livros de leitura e posse proibidas, sob pena de morte e excomunhão, o célebre " Librorum Phroibitorum ", e reorganizou a tenebrosa Inquisição: o Tribunal do Santo Ofício.
Desta vez os principais alvos passaram a ser os Mouros, os Judeus, cada vez mais poderosos e influentes no mundo católico e, claro, os excomungados partidários das novas ideias difundidas a partir da Alemanha por Martinho Lutero. Tudo criaturas do Diabo.
A "contra-reforma " foi também a arma utilizada pela Igreja Católica para combater “ a praga ” Reformista, Luterana, Calvinista e Anglicana.
 
  
Foi o meio  que a igreja de Roma pôs à disposição dos déspotas da época para contrariar os ventos parlamentaristas que sopravam dos países do norte, e faziam perigar os absolutismos que pelo mundo católico ensaiavam os primeiros passos. As " purgas " santificavam o país , e no processo, enriquecia-se à custa do confisco das terras e outros bens pertencentes aos acusados.
 O Papa, em Roma. Isabel a católica, em Castela e D. Manuel, em Portugal, sabiam o que queriam e o que faziam.: eliminar com a ajuda de Deus, e dos aterrorizados crentes, toda a a concorrência. Laica ou Religiosa.
 
Por cá mais envergonhados, e calculistas , criámos a farsa, ou a tragédia dos cristãos-novos. Os que "aceitaram" ser convertidos.
À  força, tentava-se impedir que alguns dos nossos melhores fugissem ou fossem condenados à fogueira, por serem judeus. Pelo menos os mais instruidos ou endinheirados.
D. Manuel queria o trono de Castela. Via-se como um novo Imperador. O unificador da Península. Mas para isso,  tinha de expulsar os hereges de Portugal, porque essa era uma das cláusulas do contrato pré-matriomonial que tinha celebrado com a infanta D. Maria, terceira filha da Rainha D.Isabel e de D. Fernando de Aragão e Castela.
 
E sem o casamento lá se ia o título de imperador...O casamento foi de facto consumado, mas com a morte prematura do infante D. Luís , esfumaram-se mais uma vez os sonhos de uma península unificada.
Entretanto em Castela , enquanto a infanta esperava, os reis católicos Isabel e Fernando ateavam as fogueiras e assustavam toda a gente.
Herege, ou conspirador, qual a diferença? Ambos punham em causa a ordem em que assentavam por cá as coisas. E por isso  recebiam o mesmo tratamento: a tortura e, depois, a fogueira transformada em espectáculo de feira que oferecia tudo e de borla   aos espectadores: calor, luz, som, morte e redenção.
 
Nestes espectáculos dados por toda a península destacou-se, para além dos já citados, um personagem particularmente sinistro: o monge inquiridor espanhol Tomás de Torquemada, que em 1483, instituiu a Inquisição em Castela. Um executor e um genocida que torturou e assou na fogueira mais de 10.000 infelizes...Com a protecção de Isabel, e do papa Inocêncio...
Uma  zeloso e cinzento, torcionário, uma espécie de sub-secretário de estado da Educação e Administração Interna daqueles tempos....
 
" A INQUISIÇÃO...ao som de NICK CAVE.

 

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