«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

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Dez 08

 

 

Antes da ocupação da Península Ibérica, os Romanos já dominavam vastas regiões do Próximo Oriente. Uma delas era a Palestina com capital em Jerusalém, terra onde se ergueu  o sagrado templo do rei Salomão. Aí, Cristo nasceu, pregou e foi crucificado deixando uma marca profunda em todos os que o conheceram.

Tido pelos seus seguidores como o Messias, ensinava o amor, a liberdade de e proclamava a existência de um único Deus, criador de todas as coisas.

  

Com a morte de Cristo emerge uma nova religião monoteísta – O Cristianismo.

Ou melhor uma nova seita religiosa como muitas outras que pululavam na região.
Uma seita que não sendo sequer a mais popular era sem dúvida a mais perigosa para o Poder.

Durante mais de 300 anos, os seus seguidores foram perseguidos, mortos e usados como divertimento popular , nos coliseus e arenas..O seu principal “crime” era não reconhecerem qualquer autoridade divina ao Imperador Romano.

Mas após um longo martírio, os Cristãos verão, finalmente, a sua religião reconhecida no início do séc. IV, com a inesperada e repentina conversão do imperador Constantino.

De pequena seita, o Cristianismo tornava-se quase de um dia para o outro, por vontade de um homem que afirmou ter tido uma visão, a religião mais popular de todo o Império Romano.

De facto apesar de só no ano de 380, Teodósio ter declarado o Cristianismo como a religião oficial do Império, tal era já  há muito uma realidade. Tudo começou com Constantino. A  grande  vitória que em 312 obteve na Batalha de Ponte Mílvia contra Maxêncio que lhe disputava o título de Imperador, antecedida pela  improvavel visão de uma cruz , restaurou-lhe a esperança e mostrou-lhe o caminho. No escudo, surgido por entre as nuvens, onde viu gravada a imagem da cruz latina, Constantino pôde ainda ler a frase:  " IN OC SIGNUS VINCES " , " Com este sinal vencerás."

 De repente tudo parecia claro.. Era preciso uma nova religião que despertasse os cidadãos do império e os unisse.

 

Os velhos Deuses não tinham cumprido o seu papel. O Cristianismo, que a todos prometia a salvação e em nome do qual tantos aceitavam morrer, estava mesmo à mão. E tinha tudo o que era preciso. Amor, mistério, martírio, coragem e a agora a redenção com o perdão Imperial. Ainda por cima havia textos consistentes e em abundância para estabelecer as bases de uma verdadeira e sólida crença religiosa..

Pouco importava que a conversão teatral e melodramática de Constantinio, com direito a baptismo e tudo, fosse uma farsa. Desde que o pvo acreditasse...Em privado podia fazer- se de tudo. Mesmo continuar a adorar os velhos Deuses Pagãos, como fazia o Imperador .

O Império precisava de uma nova fé. Essa era a convicção de Constantino.

 Assim para que tudo corresse a preceito reuniu-se com os mais importantes líderes Cristãos no Concílio de Niceia, em 325 d.C. 

Do vasto conjunto de textos analisados,  foram escolhidos os que melhor serviam os objectivos do Império e da nova Igreja. O Imperador e os novos Sacerdotes dividiam entre si um enorme poder.

 

Os líderes cristãos tornavam - se agora, de acordo com  a melhor tradição oriental , nos intermediários entre Deus e os homens. E como nestas coisas há sempre uns que estão mais perto de Deus do que outros , as hierarquias vinham a caminho. Anunciava-se o fim do primitivo Cristianismo libertário e mendicante.

Os textos seleccionados em Niceia, anónimos, mas aos quais foram dados os nomes dos 12 discípulos de Cristo, foram então divulgados sob o nome de "O Novo Testamento."

Ao transformar o Cristianismo na religião do Império, abandonando definitivamente o politeísmo, Constantino pretendia  como vimos , pacificar, reanimar  e unir em torno de uma só religião e da figura do Imperador , toda a população do Império devastado por um longo período de conflitos internos e externos.

 

Mas não o conseguiu. O império continuava a definhar.E ino nício do século  seguinte  ruía definitivamente, devastado pelas tribos Bárbaras do norte e do leste. 

De facto, era cada vez maior a pressão dos diferentes povos, cada vez mais numerosos e famintos, que cercavam o “ Limes “, a fronteira do Império.

O próprio exército romano era em grande parte constituído por mercenários bárbaros tornados à pressa cidadãos, já que os romanos há muito que achavam que ser  legionário  já tinha sido mais fácil. As constantes lutas pelo poder,que reultavam quase sempre noutros tantos assasinatos e golpes de Estado, também não ajudavam a manter a situação sob controle.

Da unidade, disciplina, organização e ordem afirmadas  durante séculos, já nada restava. A corrupção, a incompetência e o caos tinham minado o Império.

Esta lenta agonia  foi aproveitada pelas tribos bárbaras que vindas de todo o lado, empurradas pela fome, destroçaram por completo as legiões romanas, destruindo e pilhando tudo o que encontravam pela frente. No entanto habituados ao nomadismo os Bárbaros não criavam facilmente raízes.

Em  410,  ano em que Alarico, o Godo, conquistou, saqueou e arrasou Roma. Pouco tempo depois  abandonou-a a  troco de um fabuloso resgate. Ficar para quê? Em redor apenas a destruição. Era altura de partir. Afinal ainda havia muita terra para saquear.

                    

De pé, ficaram apenas as ruínas que ainda hoje perduram.

Também a Península Ibérica foi , como aliás todas as áreas romanizadas do ocidente, vítima da mesma devastação por parte das tribos bárbaras. Primeiro pelos Suevos e, depois pelos Visigodos, que vencendo aqueles acabarão por dominar toda a Península até ao ano de 711.

No entanto, ao pouparem os monges, as igrejas e conventos, pouparam também parte da cultura mais avançada dos povos vencidos, acabando por assimilar alguns dos seus costumes, incluindo a religião dominante na Península - o Cristianismo.

Os novos ocupantes - os Visigodos - introduziram na Península uma nova forma de poder - a Monarquia Hereditária - e uma nova forma de organização social e económica - o Feudalismo-  modelos que perdurarão por séculos, aqui e em toda a Europa.

 

Mas é melhor mostrar-te como foi. Em 3D...

 

 

Nelson Costa às 13:40

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Historiar é olhar para trás…sem virar a cabeça. De resto, não te serviria de nada.
 
Porque olhar para trás é, neste caso, olhar para o passado e este foi-se, não o podes ver.
 
No entanto não desapareceu totalmente. Deixou marcas suficientes nos locais e nas gentes que descobertas, relacionadas, datadas e com um pouco de imaginação à mistura, fizeram a História do nosso país.
 
Que a descubras por ti próprio e com ela aprendas é o que te propomos.
 
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