Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

A IDADE DOS METAIS - 2ª parte

 

    CELTAS E CELTIBEROS
 
      
 
A partir do final do 2º milénio a.C., surgem do norte e do leste da Europa tribos de origem celta que rapidamente ocupam o norte da Península e, mais tarde, vencendo os Iberos pela superioridade do seu armamento, estendem a sua presença a toda a Península Ibérica. De facto, os Iberos armados com objectos de cobre e bronze não poderiam vencer os Celtas que utilizavam armas de ferro, mais resistentes e cortantes.
 
 
Com uma cultura semelhante à dos Iberos, pastores, agricultores, guerreiros e metalúrgicos, os Celtas dominavam, no entanto, já a técnica da fundição do ferro, para além de trabalharem também a pedra o cobre e o ouro. Eram um povo politeísta e tribal de fisionomia nórdica ou eslava (altos, de pele e cabelo claros).Tal como os Iberos, escolhiam as zonas mais altas e de mais fácil defesa para construírem muralhas que protegiam os seus povoados – castros. Mas ao contrário destes, as suas casas eram redondas e não rectangulares.
 
  
 
E enquanto os Iberos enterravam os seus mortos, os Celtas queimavam-nos em piras funerárias oferecendo as cinzas ao ar, à terra ou à água. Os Celtas alimentavam-se comunitariamente à volta de uma fogueira, em redor da qual, finda a refeição que acompanhavam com cerveja, homens e mulheres dançavam ao som de tambores, flautas e instrumentos de corda. Habituados a uma vida dura, habitando regiões pobres, os Celtas comiam apenas uma vez por dia, sendo o pão de bolota e a carne de cabra a base da sua alimentação. Usavam geralmente, o cabelo comprido preso com uma fita, e as armas que utilizavam (pequena espada, punhal, escudo e elmo) eram simples e leves, pois faziam da rapidez e da agilidade os seus principais trunfos quando combatiam. Os homens vestiam de escuro enquanto as mulheres preferiam as cores claras. Quando algum membro da tribo adoecia atacado por um mal que o druida (sacerdote e médico) não conseguia curar, colocavam-no junto de um dos principais caminhos, na esperança de que algum viajante, por já ter padecido do mesmo mal, lhe pudesse indicar a cura.
 
  
 
Os Celtas que introduziram na Península Ibérica a tecnologia do ferro, mais do que metalúrgicos eram hábeis ourives. Algumas peças desta arte, pela sua delicadeza e beleza são testemunhos da sua perícia. Até nós chegaram também algumas obras de estatuária.
Os Celtas conseguiram adiar por duzentos anos a ocupação da Península Ibérica pelos Romanos.
No topo da sua pirâmide social estava o mais bravo dos guerreiros.O chefe de todas as tribos.O homem que todos reconheciam descender de um personagem semi-lendário,  quase sempre , autor dos mais bravos feitos na defesa do seu povo da sua terra. Assim rezava a tradição oral, que com o passar do tempo aproximava a realidade da lenda. Caro que o facto de os Celtas não conhecerem a escrita também ajudava.
A  Aristocracia guerreira era o grupo social mais poderoso logo seguida pelos Sacerdotes, os Druídas.
O povo formado por metalúrgicos pastores e agricultores assegurava as principais actividades. Na base desta pirâmide estavam os escravos, prisioneiros de guerra que executavam as tarefas mais duras . Eram também as principais vítimas dos sacrifícios cerimoniais praticados pelos Celtas  sempre que algo não corria bem e ameaçava a sobrevivência da tribo.
Este será de resto ,o modelo social que se estenderá a  toda a Europa durante a longa Idade Média: O Feudalismo,
Os Celtas professavam uma religião Politeísta e Animista. O mundo, todas as coisas que o compõem, das plantas aos animais passando pela água, pelo vento, pela terra e pelo fogo, toda a natureza estava animada e comungava de um espírito único. Viver em harmonia com a natureza e comungar desse espírito eram os principais ensinamentos do Druidas. Adoravam a Deusa, ou Mãe-Natureza e o culto do Sol era o aspecto cerimonial mais importante da sua religião. A orientação e as características das enormes construções de pedra, à volta das quais as tribos se reuniam, sublinham a importância do céu e dos astros na sua cultura.
 
  
 
Tal como a terra, o céu era também habitado. Nele residiam os deuses que influenciavam a vida dos homens.
A cultura e religião celtas admitiam a prática de sacrifícios cerimoniais, muitas vezes humanos.
Uma oferta dos homens aos deuses para acalmar a sua ira.
Esta manifestava-se sempre através de catástrofes, naturais ou não: secas, inundações revoltas e guerras, que punham em risco a sobrevivência das populações.
 Com o tempo, algumas tribos de Celtas e Iberos, influenciando-se mutuamente, acabaram por constituir tribos mistas, conhecidas por Celtiberos.
 
  
 
Estes tinham nos Lusitanos a tribo mais poderosa, estendendo-se o seu território do Tejo ao limite sudoeste da Península. A resistência que os Lusitanos ofereceram à ocupação romana, o papel determinante do seu líder Viriato, e a localização dos territórios que defenderam a todo o custo, conferem a este povo um papel particular da nossa História.