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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

OPINIÃOI

Vivemos dias tão estranhos e decisivos que me apeteceu escrever outra vez E como o sítio "mais  à mão" era este, aqui estou de volta.

PERPLEXIDADES ? AONDE ?

 

Dizia Marx dois séculos atrás, que o espectro do comunismo pairava ameaçadoramente sobre todos os países da Europa. Por cá é pior, é o espectro da indigência, da inércia mental e cultural que nos tolhe há séculos. Não atamos nem desatamos. Nunca foi uma questão de dinheiro, por cá houve-o a rodos, mas de gente, de mentalidades, de hábitos e, sobretudo, de carácter. Alguns chamam-lhe identidade. Nada, por isso, a que não estejamos há muito habituados.

 Mas que diabo, há tempo de mais que são sempre os mesmos figurões, as mesmas soluções, e os mesmos desvarios que se repetem e nos conduziram até aqui. Apáticos, atordoados pela prestação da casa, ninguém parece dar por nada.Também aqui nada de novo. Mas, o pior é que os últimos acontecimentos ameaçam “irremediavelmente” tornar este sítio num lugar sem remédio. Isto a propósito de um caso tão corriqueiro mas, no presente momento, tão significativo como é o das as eleições para a Assembleia da República.
Pelos vistos, bastou uma atitude, muito suspeitamente canhestra, do nosso supostamente génio da política Cavaco Silva para que do empate técnico entre os 2 principais candidatos à vitória se passasse para uma vitória pouco menos que retumbante do PS.
Para a nossa “intelligentsia,” feita dos directores de jornais e colunistas do costume, o gesto presidencial foi tão estranho que a palavra perplexidade passou a entrecortar o café com nata de todos os dias e a encher colunas e editoriais.
O povo indignou-se e, de súbito, e aparentemente  esqueceu-se de 4 anos de governação desastrosa, descobrindo, num piscar de olhos, em Manuela Ferreira Leite uma chusma de vilanagens, que ainda há dias cabiam que nem luva a José Sócrates. Foi, pelo menos, isto que os media, que ainda formatam muita cabeça, e todas as sondagens deste país, nos quiseram transmitir.
A respeito de Manuela Ferreira Leite, de velha a feia e mal penteada, ouviu-se e leu-se de tudo, às vezes apimentado pelos sorrisos condescendentes e malandros nos lábios dos comentadores da praxe.
Enquanto isto, nos mesmos media, Sócrates era louvado e quase que içado à condição de semi-deus, enquanto exultava por ter, trocado a tempo, a pele do lobo feroz que tudo quer e tudo pode, pelos tules e rendas de uma Branca de Neve nariguda de voz fina, sempre pronta a negociar… com a máxima delicadeza. Isto vê-se, particularmente, no brilho daquele olhar auto-satisfeito. O olhar  dos que sabem que mais uma vez com muita arte e engenho enganaram os otários. A licenciatura rasurada e domingueira é Pré-História e o caso Freeport ainda acabará como romance foleiro escrito por um ghost writer qualquer. Isto se Sócrates se mantiver no poder. Hipótese que está longe de ser uma evidência e muito menos uma inevitabilidade, como se ouve por aí.
 Mas, o mais assustador é todos os nossos sábios parecerem ter a resposta errada para a mais inquietante das perguntas: como pode alguém, ainda por cima um Presidente da República, ser tão estúpido? Como pode alguém dar simultaneamente um tiro no pé e, no processo, atingir de morte os supostos correligionários? E enquanto não acertam, entretêm-se com as mais hilariantes exigências. São tolos ou fazem-se. Amuam, fazem-se de virgens traídas, ou afinam os punhais. Todos exigem explicações de alguém que, diariamente, reafirmava a sua naturalidade e, sobretudo, não se achava no direito de intervir na campanha eleitoral por, de acordo com as suas próprias palavras, estar acima dos partidos. Resultado: a campanha acabou e já tem um vencedor – Cavaco Silva. Ou pelo menos, é o que ele pensa. Ele e a sua entourage.
Outros não lhe perdoam o assassinato de Manuela Ferreira Leite e do PSD quando tudo lhes parecia correr de feição. Mas, o mais preocupante é o facto de ninguém se ter lembrado que esta era a única jogada que o nosso esfíngico presidente podia jogar, para tentar a sua reeleição numa altura em que a figura de Manuel Alegre lhe começa a assombrar os pesadelos.
A " Mitologia do do Cavaquismo " : o grupo da sueca, os indefectíveis da Praia do Mindelo e de S. Martinho do Porto, a  gente que lá por Agosto peregrinava em direcção ao Algarve em homenagem ao chefe, está morta ou a contas com a justiça. Os outros, os sobreviventes, estão bem arrumados e distribuidos pelos mais altos cargos da administração e da gestão de empresas, e nem querem ouvir falar de política. Apenas se servem dela. E para isso, "noblesse oblige" lá vão aparecendo, de vez em quando, junto dos líderes que se vão sucedendo, para mostrarem que existem e que a sua presença ainda é apreciada.
Por onde param Valente de Oliveira, Leonor Beleza, João de Deus Pinheiro? `Para já não falar de Dias Loureiro, Isaltino de Morais e Oliveira e Costa. E os outros ? O PSD de hoje é tudo o que Cavaco sempre detestou. Do antigo não resta nada.E nestas, como noutra questões, Cavaco é um conservador, um nostálgico e, ao mesmo tempo, um realista que sabe que todas as épocas têm um fim.
O PSD he hoje é feito de gente de nome, de posto, mas sem obra ou profissão. Gente que nunca fez pela vida. Cavaco conta mais com os fura-vidas, com os patos-bravos, mesmo com naqueles que se transformaram em patos-enjaulados. Enfim, gente de família e confiança. Até na prisão.
Os velhos Barões, que Cavaco abominava, já não o preocupam tanto. Estão mais velhos que os velhotes dos Marretas e são muito menos irreverentes. Já nem conspiram.
Resumindo, o PSD é um escolho que só o atrapalha.
Por muitas afinidades e simpatias que existam entre Cavaco e Ferreira Leite, esta última é para ele “O Cardeal D. Henrique" do PSD.
O que não seria grave se Pedro Passos Coelho não fosse visto por Cavaco como a mais tenebrosa encarnação de D. Sebastião. Num tom mais irónico “ Todos para Alcácer Quibir “. "Jamais ".
De uma só cajadada, Cavaco acabou com as legislativas e deu inícío às unicas eleições que para ele contam: as Eleiçóes Presidenciais.
Cavaco sabe que só será reeleito num dos dois seguintes cenários: recuando e adoptando uma pose centrista, colocando os “supremos interesses do país acima de tudo" o que, por outra palavras, quer dizer mais ou menos ficar olimpicamente de braços cruzados enquanto o país se consome; ou qual Bonaparte, adoptando um conjunto de atitudes mais enérgicas e, por vezes, deliberadamente hostis, porque  só assim poderá manter a casa em ordem e fazer valer a sua parca autoridade. Enfim, mostrar que está vivo e pronto para os desafios mais próximos...
O primeiro cenário nunca se concretizará com a fulminante pulverização partidária que vem aí.
No segundo caso, o mais verosímil, Cavaco estará muito mais à  vontade, uma vez  alijado dos seus compromissos e  sentimentos com o seu partido de sempre, o PSD, para  agir e para se afirmar no meio deste “ Albergue Espanhol “ em  que este sítio se transformará após as eleições. Poderá, então, surgir como o nosso Zorro, o Homem  que a bem ou a mal fará da balbúrdia tranquilidade. E assim ficará na História... Boas intenções para  o principal obreiro deste nosso atoleiro chamado“ Modelo de Desenvolvimento Económico.”
O combate de Cavaco, uma vez posto de lado o PSD, já nem sequer é o PS.
Para esses, há certamente muita artilharia guardada, a ser usada na altura certa. Nessa altura, Sócrates poderá ver-se em maus lençóis. Cavaco acha-se Maquiavel e sabe esperar.
O principal inimigo de Cavaco chama-se Manuel Alegre. Daqui a dois anos no máximo, se não mudarmos agora, vamos  todos querer ver outros figurões à nossa frente. Nem que seja para variar. Por todo o lado cheira àquela 1ª República de que falam os livros de História.
Para vencer Cavaco, Alegre nem sequer tem de ser melhor... basta estar vivo...
Cá por mim, como professor, tenho memória, e vergonha na cara.
Nunca votaria num partido que conseguiu numa legislatura fazer tantos estragos numa instituição e numa classe como Sócrates, Caracoleta e a sua secretária Milú.
Tamanha sanha contra os professores não manifestou em décadas o abominável Salazar. E eu estava lá...era aluno. 
José Sócrates. o homem que fez render os fatos, o  corte de cabelo e a presença televisiva passeando-se pesaroso mas  disponível, pelos escombros de um PS Casa-Piano,  fê-lo numa legislatura …. a assobiar para o lado.
Mas não desesperem. Apesar do ar sulfuroso que se respira, apesar do cansaço, as sondagens são o que são. Podem não passar de " wishful thinking", quer dizer, podem ser apenas aquilo que aqueles que as encomendam, fazem ou simulam, aqueles que pensam que  tudo controlam e decidem, gostariam que fossem.
Às vezes, enganam-se e a mim que sou um votante como os outros, ainda ninguém me perguntou nada.... E por falar em aldabice, a maior das falácias, daquelas que já nem na Guiné-Bissau pegam, é  a de que somos todos obrigados a escolher entre a actual desprotegida do "Tiranossaurus-Rex- Que- Gosta- De- Pasteis-de Nata"  e o  "Pinóquio- que- já- foi- Lobo - e agora- é -a Branca- de- Neve", a pensar que nós somos todos anões.
Não acreditem e lancem-nos borda fora!
Há outras escolhas!
Até porque no que que diz respeito à Educação, eles há muito que já perderam...e são cada vez menos os que não o sabem, ou não querem saber.
 

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