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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

A ARTE GÓTICA

 

 
O estilo Gótico, que se afirmou na Europa entre os séculos XII e XV, marcou  uma evolução significativa em termos do domínio das formas e das técnicas por parte dos artistas da época face ao período românico.
No novo gosto tudo era diferente.
Se a Arquitectura Românica com o seu ar sólido e rústico, com as suas figuras toscas e ingénuas tinha sido erguida à escala humana, a Arquitectura Gótica pela sua altura, pela elegância das suas proporções e pela sua verticalidade parecia querer atingir o céu e aproximar-se de Deus. O interior das igrejas góticas, com as suas altas e elegantes naves separadas por colunas e arcos em forma de ogiva, cobre-se de cúpulas e abóbadas de nervuras.
Pelas rosáceas e vitrais entram focos de luz que se cruzam e provocam a admiração dos presentes.
 
No exterior, as esculturas do pórtico afirmavam a supremacia de Deus perante os homens e os demónios que com eles viviam.
Mas agora não se confinam ao tímpano e capitéis. A parte esculpida distribui-se por toda a fachada e, por vezes, nem os arcos nem as colunas escapavam a tanta liturgia.
Anjos, santos, homens, demónios, as gárgulas que do alto espreitam e o próprio Satanás parecem seres animados pelo realismo e pela perfeição das formas e efeitos de luz e sombra.
Os elegantes pináculos apontam o caminho dos céus, mas a sua altura sublinha também a pequenez dos que os observam.
Este é de resto um dos objectivos das suas imponentes fachadas e da exuberância dos seus elementos arquitectónicos e decorativos:
Promover o pasmo e a consciência da sua insignificância nos homens, assegurando a sua obediência e passividade.
Mais do que locais de oração e recolhimento, as igrejas góticas foram construídas para intimidar as populações face ao poder quer religioso quer temporal.
A grandiosidade e riqueza do estilo gótico assinalam um tempo em que a igreja se afasta cada vez mais do povo, exibindo pela ostentação uma riqueza e um poder que não parava de crescer.
      
No entanto, a construção das catedrais góticas constituía para a igreja um pesado encargo. E encargos, sobretudo económicos, eram coisa a que o Clero não estava habituado.
Exibir o poder ficava caro e, quando se tratava de construir catedrais significava pagar em dinheiro a trabalhadores livres que através da suas organizações ( as Guildas ou corporações ) ditavam o preço por tarefa e dia de trabalho.
Apesar de toda a influência, prestígio e poder de que a Igreja gozava, a construção destas catedrais só se tornou possível graças a uma generosa política de doações por parte dos reis e dos senhores feudais.
E, claro, a venda de indulgências a que então recorreu, ajudou muito.
 

 

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