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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

EFEMÉRIDES

No dia 27 de Março de 1973, Marlon Brando recusou o Óscar, para o melhor actor, pelo seu desempenho no filme, "The Godfather " ( O Padrinho),  por discordar do tratamento dado pela televisão, pelo cinema, e pelo governo dos E.U.A. aos Ìndios Sioux.

EFEMÉRIDE

No dia 26 de Março de 1871, foi formalmente constituida a "Comuna de Paris". Os manifestantes que se opunham à política de capitulação da França na guerra com a Prússia, tinham posto em fuga, o governo pró monarquico de Thiers, que antes ordenara o seu esmagamento. Não o conseguiu e perdeu. A Guarda Nacional escusou-se a tal serviço, e passou-se para o lado dos revoltosos. Assim o que começou por ser uma reacção defensiva da população de Paris,  transformou-se numa insurreição popular.O poder estava na rua.

A nova República fazia seus, os princípios da 1ª Internacional. A criação de uma verdadeira " República dos Trabalhadores " era o objectivo.

Esses breves dias de poder revolucionário são ainda hoje um exemplo para todo o movimento socialista mundial. O verdadeiro massacre que se lhe seguiu, provou que a existência do poder comunal se tratava de facto, como Marx disse, de " um assalto aos céus."

 

 

SABIAS QUE...

 " AQUI VAI DISTO ! "...outra vez

 
 
Se, na Idade Média, havia um costume verdadeiramente democrático, esse era, sem dúvida, a falta de higiene. Mais do que um costume era uma regra de conduta que todos respeitavam. Nobres, Clérigos e Plebeus. O Rei, claro, dava o exemplo. Quanto à higiene do corpo, a regra parecia ser: quanto mais rico mais sujo, mas mais protegido contra febres, resfriados e outras maleitas. Nesses tempos, a água era encarada como algo potencialmente mortal. O banho integral era uma prática raríssima, cansativa e sempre perigosa …As correntes-de-ar abundavam e  não era fácil despir toda aquela roupa. Muitos ficavam mesmo a meio caminho quando se deitavam. Poupavam no despir e no vestir de todos os dias. A sujidade oculta era, assim, directamente proporcional às camadas de roupa e atavios com que os mais poderosos se cobriam para exibir a sua grandeza. Quanto ao mau cheiro, nada que um bom perfume oriental não abafasse…O banho integral era uma coisa tão rara como memorável. Nas poucas vezes em que tal acontecia, geralmente por vontade ou necessidade do Patriarca, toda a família o acompanhava. E como era festa aproveitava-se o momento para beber e petiscar qualquer coisa.
 
Tudo se passava na mesma água. O pai começava o ritual, a mulher seguia-o, e à filha mais nova, se a houvesse, cabia "a última água" que, desgraçadamente, era também a primeira. Fosse o banho uma prática diária e os filhos mais novos nunca chegariam a velhos. A " populaça" era, apesar de tudo, bem mais limpa. De tempos a tempos, sempre que o calor apertava, era vê-la a chapinhar nas  " piscinas " que eram também os tanques públicos em que as mulheres lavavam as roupas, ou nos rios e riachos mais próximos.
 
Mas as coisas não ficavam por aqui. Se pensam que a falta de higiene doméstica atingia o seu pico nas casas e ruelas esconsas dos burgos medievais, de que já aqui falamos a este mesmo respeito, estão enganados. No Palácio de Versailles, a residência do Rei-Sol e de outras super-estrelas da época, com as suas divisões douradas e espelhadas, não havia uma única casa de banho. Os penicos da mais rica porcelana distribuíam-se generosamente por quartos, salas e salões. De preferência, devidamente identificados pelas armas e brasões dos seus utilizadores. Estavam sempre à mão, e eram utilizados em público, sem qualquer espécie de pudor, a meio das mais importantes e, por certo, inebriantes discussões de Estado.
 
Um público restrito, claro, feito de cortesãs, cortesãos, embaixadores e outros altos dignitários que frequentavam o palácio. Mas nenhum assunto era mais urgente que as urgências de todos os dias. Era, pois, preciso ser prático e conciliar as coisas. Dos "desperdícios" encarregavam-se os diligentes criados que, numa azáfama constante, indiferentes ao olhar reprovador das estátuas barrocas, os lançavam directamente da janela para os jardins, frequentados pelas mais variadas hordas de insectos...mas sempre viçosos à custa de tanta matéria orgânica.
Nas residências fortificadas quando rodeadas por um fosso, o problema resolvia-se da forma que estão a pensar. O fosso era mesmo isso...uma fossa.