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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

SABIAS QUE...

A ORIGEM DO CHEQUE


Os cheques ou notas de câmbio, meio de troca cuja utilização só se intensificou a partir dos séculos XIV e XVI, com o aumento da trocas comerciais a nível internacional, tem origens bem mais antigas que remontam ao séc.XII. O Tempo das primeiras cruzadas.

De facto o " papel-moeda ",  mais precisamente um bocado de pergaminho selado, foi a solução encontrada para salvaguarda os bens da mais poderosa ordem militar religiosa da época: Os Cavaleiros Templários.
A substituição de moedas por "cheques" foi  feita pela primeira vez por esta Ordem formada por monges-guerreiros, criada para defender dos infiéis, os peregrinos  que demandavam Jerusalém : a Terra Santa.
 Em nome de Deus pretendiam limpar dos” ímpios” o lugar mais sagrado para os cristãos do mundo inteiro.
Em nome de Deus protegiam os peregrinos, e  em nome de Deus matavam, saqueavam e semeavam o medo entre as populações muçulmanas.
Com o tempo, os Templários foram adquirindo grandes riquezas, sendo alvos constantes de roubos e ataques durante suas viagens
Para proteger seu património, criaram então, um documento que poderia ser trocado por moeda corrente (ouro ou prata) com os companheiros da mesma ordem estabelecidos noutras regiões.
Tinha nascido o cheque

 

CONTOS E LENDAS

 

A LENDA DE VIRIATO E DO GENERAL GALBA

Depois de muitas lutas, já esgotados, os chefes lusitanos decidiram propor a paz aos ocupantes romanos. Assim se estes lhes dessem terras férteis nas planícies, abandonariam as armas e a resiatência

Um chefe romano chamado Galba fingiu aceitar a proposta e ofereceu-lhes um local esplêndido na condição de entregarem as armas. Mas quando os viu espalhados por uma zona sem esconderijos e já sem hipóteses de se defenderem, esqueceu a palavra dada, cercou-os, matou nove mil homens e, não contente com isso, aprisionou mais de vinte mil guerreiros feitos escravos er enviados para a Gália ( França )

Galba pensava que a notícia desta vitória seria muito bem recebida em Roma e talvez até estivesse à espera de alguma recompensa. Também pensava que a violência do seu ataque tinha destruído para sempre a resistência dos Lusitanos. Afinal enganou-se redondamente.

 

As autoridades romanas davam muito valor às vitórias militares mas exigiam lealdade na guerra e respeito pelos inimigos. Quando souberam que Galba mentira aos Lusitanos para os vencer à traição e que atacara homens desarmados, homens que tinham confiado na palavra de um chefe romano, ficaram indignados. Em vez de recompensas, Galba foi chamado a Roma e julgado em tribunal. Nunca mais voltou à Península Ibérica.

Quanto ao efeito da violência bruta sobre os Lusitanos, foi exactamente o contrário do que Galba esperava. Em vez de ganharem medo, ganharam raiva contra o inimigo. Um dos homens que conseguiram escapar à carnificina tomou a seu cargo a vingança e a revolta. Chamava-se Viriato. Dois anos mais tarde já tinha consigo um exército de milhares de homens vindos de vários castros; desencadeou ataques sucessivos contra os Romanos, alcançando tantas vitórias que passou à história como um grande herói, um chefe invencível.

  

Ninguém sabe ao certo quando nasceu Viriato nem a que família pertencia. Segundo a tradição, durante a juventude terá sido pastor nos Montes Hermlnios, que hoje se chamam Serra da Estrela (1).

Há quem diga que Viriato participou desde muito novo em assaltos-relâmpago às povoações dominadas por romanos. E que já então se distinguia pela agilidade, pela força e pela inteligência guerreira.
No entanto, foi um dos homens que acreditaram nas promessas de Galba e desceram à planície na intenção de se instalar e viver em paz numa terra fértil. Assistiu ao ataque traiçoeiro; não pôde lutar porque não tinha armas, mas conseguiu fugir.

Depois do massacre, todos os lusitanos sobreviventes regressaram aos seus castros nas montanhas. A pouco e pouco reorganizaram-se, fabricaram armas e prepararam o contra-ataque.

 

No ano 147 a.C. dez mil lusitanos em fúria avançaram para sul e dirigiram-se a uma zona dominada pelos Romanos.

Queriam saquear as povoações e vingar a morte dos companheiros, mas quando menos esperavam perceberam que estavam cercados à distância por um anel de soldados inimigos. Que fazer?

Os chefes, para evitarem nova carnificina, propuseram-se ir negociar a rendição. Viriato opôs-se com veemência. Erguendo a voz, lembrou:

- Os Romanos não respeitam promessas. Enganaram-me uma vez, não me tornam a enganar. Comigo não contem para negociações. Prefiro lutar ou morrer.

O discurso e a firmeza impressionaram toda a gente, sobretudo os outros chefes. E Viriato continuou:

- Se não podemos vencê-los pela força, vencê-los-emos pela astúcia. Ora oiçam o meu plano.

 

Propôs-lhes então o seguinte: os homens que combatiam a pé deviam formar grupos e a um sinal combinado disparar em todas as direcções e romper a barreira que os cercava sem dar tempo aos inimigos de se organizarem.

- Enquanto vocês fogem, eu e os outros cavaleiros caímos sobre eles ora de um lado ora de outro, de forma a derrotá-los e a proteger a vossa fuga.

O plano foi aceite; faltava combinar o sinal.

- Fiquem atentos. Quando eu montar a cavalo, já sabem... é ordem para arrancar.

Pouco depois ecoavam gritos de guerra pelos campos, zuniam setas e lanças, por toda a parte se ouvia o tinir das espadas. Os romanos não estavam à espera daquela táctica-relâmpago e, tal como Viriato previra, desnortearam-se.

  

Muitos grupos de peões romperam o cerco e desapareceram, enquanto os bravos   

cavaleiros lusitanos, apesar de estarem em minoria e de possuírem armas mais fracas,  lutavam sem cessar.   

O campo de batalha ficou juncado de mortos, o próprio general romano perdeu a vida,

mas não se pode falar de vitória ou derrota. Neste confronto, Viriato, mais do que vencer os Romanos, salvou os Lusitanos. A partir de então foi reconhecido e amado como chefe máximo por todas as tribos.

As mulheres sonhavam com ele, os homens admiravam-no, acatavam as suas ordens e seguiam-no com tanto entusiasmo e convicção que durante anos lançaram o terror entre as hostes inimigas. Viriato parecia invencível. E, de facto, em guerra aberta ninguém o derrubou.

No ano de 139 a.C. Viriato foi assassinado à traição, quando dormia na tenda, por três homens da sua tribo que os Romanos tinham aliciado e subornado. Os Lusitanos choraram longamente a perda daquele chefe querido e ficaram muito enfraquecidos. Quanto aos assassinos, parece que não chegaram a obter nenhuma recompensa pelo crime. Segundo consta, foram recebidos com desprezo pelo chefe romano, que lhes terá dito «Roma não paga a traidores».

É engraçado que tudo o que sabemos a respeito deste homem que os Portugueses consideram como o primeiro dos seus heróis foi escrito por autores romanos. Impressionados pela personalidade forte, austera e recta do chefe lusitano, impressionados também pelo imenso valor que demonstrava na guerra, escreveram vários textos elogiosos sobre ele. Apesar de serem adversários, foram os Romanos que deram a conhecer ao mundo a figura de Viriato.

 

Fonte : " Portugal História e Lendas "

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

EFEMÉRIDE

No dia 26 de Janeiro de 1654, os holandeses renderam-se aos portugueses, no Recife, retirando-se definitivamente de Pernambuco. Para este desfecho foi decisiva a contribuição da população indígena.

"ANJOS E DEMÓNIOS"

ISABEl, TORQUEMADA E OUTROS INOCÊNCIOS...

 

 
 
A febre da caça às bruxas,  judeus, muçulmanos e outros hereges foi uma "doença "que contaminou o mundo católico entre os séculos XII e XVIII. 
As primeiras manifestações de intolerância religiosa começaram bem cedo, com as perseguições e massacres de que foram alvo os Cátaros ou Albigenses no século XII.
Prosseguiram no século seguinte com as execuções em massa dos Templários, e atingiram o seu pico no período da Contra-Reforma, aberto pelo concílo deTrento em 1545.
  
O mesmo que instituiu o index de livros de leitura e posse proibidas, sob pena de morte e excomunhão, o célebre " Librorum Phroibitorum ", e reorganizou a tenebrosa Inquisição: o Tribunal do Santo Ofício.
Desta vez os principais alvos passaram a ser os Mouros, os Judeus, cada vez mais poderosos e influentes no mundo católico e, claro, os excomungados partidários das novas ideias difundidas a partir da Alemanha por Martinho Lutero. Tudo criaturas do Diabo.
A "contra-reforma " foi também a arma utilizada pela Igreja Católica para combater “ a praga ” Reformista, Luterana, Calvinista e Anglicana.
 
  
Foi o meio  que a igreja de Roma pôs à disposição dos déspotas da época para contrariar os ventos parlamentaristas que sopravam dos países do norte, e faziam perigar os absolutismos que pelo mundo católico ensaiavam os primeiros passos. As " purgas " santificavam o país , e no processo, enriquecia-se à custa do confisco das terras e outros bens pertencentes aos acusados.
 O Papa, em Roma. Isabel a católica, em Castela e D. Manuel, em Portugal, sabiam o que queriam e o que faziam.: eliminar com a ajuda de Deus, e dos aterrorizados crentes, toda a a concorrência. Laica ou Religiosa.
 
Por cá mais envergonhados, e calculistas , criámos a farsa, ou a tragédia dos cristãos-novos. Os que "aceitaram" ser convertidos.
À  força, tentava-se impedir que alguns dos nossos melhores fugissem ou fossem condenados à fogueira, por serem judeus. Pelo menos os mais instruidos ou endinheirados.
D. Manuel queria o trono de Castela. Via-se como um novo Imperador. O unificador da Península. Mas para isso,  tinha de expulsar os hereges de Portugal, porque essa era uma das cláusulas do contrato pré-matriomonial que tinha celebrado com a infanta D. Maria, terceira filha da Rainha D.Isabel e de D. Fernando de Aragão e Castela.
 
E sem o casamento lá se ia o título de imperador...O casamento foi de facto consumado, mas com a morte prematura do infante D. Luís , esfumaram-se mais uma vez os sonhos de uma península unificada.
Entretanto em Castela , enquanto a infanta esperava, os reis católicos Isabel e Fernando ateavam as fogueiras e assustavam toda a gente.
Herege, ou conspirador, qual a diferença? Ambos punham em causa a ordem em que assentavam por cá as coisas. E por isso  recebiam o mesmo tratamento: a tortura e, depois, a fogueira transformada em espectáculo de feira que oferecia tudo e de borla   aos espectadores: calor, luz, som, morte e redenção.
 
Nestes espectáculos dados por toda a península destacou-se, para além dos já citados, um personagem particularmente sinistro: o monge inquiridor espanhol Tomás de Torquemada, que em 1483, instituiu a Inquisição em Castela. Um executor e um genocida que torturou e assou na fogueira mais de 10.000 infelizes...Com a protecção de Isabel, e do papa Inocêncio...
Uma  zeloso e cinzento, torcionário, uma espécie de sub-secretário de estado da Educação e Administração Interna daqueles tempos....
 
" A INQUISIÇÃO...ao som de NICK CAVE.