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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

A CHOLDRA

 

"OS HOMENS DO LEME"
Só um povo que não se preza, que vive por correspondência e deixou há muito tempo de pensar e agir, tolera ser governado e representado por esse mundo fora, pela mais risível, medíocre, incompetente e desavergonhada pandilha de arrivistas de que este país tem memória. Depois de todos termos corado com o deplorável espectáculo dado pelo primeiro-ministro, quando debitava o seu inglês técnico, tipo " bacon of the sky ", perante uma plateia de líderes europeus, que se contorcia de riso, ao ouvi-lo, sem perceber patavina, a propósito do suposto contributo pioneiro de algumas das nosssas empresas para o alargamento da livre circulação do espaço Schengen;
depois de termos visto e ouvido o mesmo personagem afirmar, convictamente e sem pestanejar, na TV perante os seus acólitos, que as tecnologias da informação estavam para o séc. XXI como a electricidade esteve para o século XVIII; foi a vez de Cavaco Silva enterrar definitivamente as esperanças daqueles que, estupidamente, ainda viam no homem um exemplo de competência e rigor que pairava acima da mediocridade instalada neste sítio.
Não me apetece falar da licenciatura domingueiramente tirada por Fax. Não me apetece falar do brilhantismo dos projectos de engenharia de barraca de que o nosso envergonhado agente técnico, tanto se orgulha. Não me apetece falar do Freeport, dos aterros sanitários ou dos painéis solares a electricidade. Não me apetece sequer falar do triste episódio da visita de Maria Cavaco a uma aula onde, supostamente, se ensinava Português como se fosse Castelhano, por já estarmos habituados a tais confusões históricas, linguísticas e geográficas. Mas a conferência de imprensa de ontem foi parola de mais para ficar calado.
O que me causou raiva, nojo, e uma absoluta certeza de que este sítio e esta gente, tão foleira, não têm emenda, foi o tom pedante e putativamente  irónico com que o “nosso” presidente se dirigiu aos jornalistas, depois de mais uma memorável passeata por terras turcas. Disse ele que não falava de política nacional no estrangeiro, e agora pasmem, corem ou chorem se quiserem, “ por não ser “ just"...” e logo esclareceu “justo”, para os outros jornalistas presentes. Não, não pensem que se tratou de uma simples algarviada. o homem pronunciou distintamente, como quem sabe do que fala, "jast". Pensava sem dúvida que estava a falar inglês, e do bom. Pelo menos deve ter-lhe soado a tal. E, na sua doidice, os jornalistas que, por dever de ofício, ali estavam, deviam representar principalmente o mundo anglo-saxónico ávido das suas palavras, opiniões ou conselhos . Não se acredita que um homem que exibe como feito principal do seu currículo académico um Doutoramento sacado a uma Universidade Inglesa, tão prestigiada internacionalmente como a figura em causa, não saiba que o termo Inglês para Justo, seja Fair e não Just, que na mesma língua quer dizer tão-só…apenas. A não ser que se trate de um neologismo ou de uma expressão caída em desuso como o presidente. E neste caso está bem. Mas não deixa de ser "armanço".
 Nas suas palavras, repito e passo a citar, o homem não falava “por não ser just”. E tinha razão, ninguém merece ouvir alguém falar assim.
Em inglês usa-se uma expressão para designar aqueles que fazem da estupidez uma medalha e, ainda por cima, se riem do feito. Chamam-lhe " inverted snobbery", o que é sem dúvida o caso, se nos lembrarmos do ar auto-satisfeito com que a alarvidade foi proferida.
O homem que, há duas décadas, contratou a actriz Glória de Matos para o ensinar a falar, deve no processo ter perdido algo. Consegue falar mas já nem sabe o que diz.
Aposto que, por esta altura, como as coisas estão, já todos sentimos saudades daquele que, de tão embrenhado e confuso com os seus próprios números, mandava os jornalistas fazer as contas...
Se pensamos dobrar o " Cabo das Tormentas "  com gente desta ao leme, mais nos vale rezar e ter os coletes de salvação à mão.
Se não acreditam vejam...A reputação e o carácter.
 
Cantinflas no Parlamento Europeu / A Mão de Judas

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