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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

EFEMÉRIDE

 

No dia 2 de Maio de 1968, explodiram as manifestações estudantis que estiveram na origem do Movimento de Maio de 68. Uma faúlha que alastrou das escolas às fábricas e pôs, durante um mês, a  França a " ferro e fogo ". O radicalismo, a irreverência e a imaginação desceram à rua. O mundo parecia mudar...parecia...mas não mudou.

O que aconteceu então a esta gente? Falo, é claro, dos seus principais mentores e ideólogos. Daqueles para quem a realização da utopia era coisa para ontem. Bem, os mais puros e duros consumiram-se em rituais de auto-imolação, levando consigo muita gente inocente entre alguns que não o eram. Outros, trocaram o vermelho pelo verde e já só pensam em acabar os seus dias a podar rosas ao som de música clássica. Bem bom.

Finalmente, os mais espertos e calculistas trocaram Marx  pelos livros de auto-ajuda e, depois de voluntariamente submetidos às mais duras sessões de Psicanálise, descobriram a razão por que tanto tinham lutado: um lugar na primeira fila do festim capitalista, porque a idade avançava e era preciso fazer pela vida...é vê-los como " Iagos " contempoâneos, oráculos e mentores de antigas vilanagens, consultores dos mais poderosos ou simplesmente como envergonhadas "cabeças que falam ", no Parlamento Europeu.

Do " bando dos quatro " de Maio de 68, Alain Geismar, Daniel Cohn-bendit, Jacques Sauvagenau e Alain Krivine, apenas este último, solidamente ancorado no messianismo Trotskista, continua a rever-se nesses tempos. 

Por cá, temos alguns gloriosos exemplos da mais falhada, arrependida e oportunista geração deste século...pelo menos. A responsável pelo estado das coisas.

Só para citar os casos mais conhecidos:

Jorge Sampaio, um perigoso leitor de Gramsci e Rosa Luxemburgo, muito fotografado durante a Crise Académica de Coimbra, que ficará na História por ter "canonizado" Amália Rodrigues;

Durão Barroso, um fervoroso crente, discípulo de Estaline e de Mao Tsé Tung, que despertou a atenção do mundo como mordomo de Bush e de Blair, na trama da invasão do Iraque;

Ferro Rodrigues que, na altura, de cabelos pelos ombros e bigode à tártaro, parecia o polícia dos "Village People" infiltrado no M.E.S., teve a carreira que se conhece e acabou como se sabe...;

Jorge Coelho, um maoísta anónimo, que subiu a pulso, desde cedo conhecido por meter na ordem qualquer Serviço de Ordem. Um homem que depois da obrigatória e sabática passagem por um governo P.S., depois de muita cacetada e outras tantas ameaças, foi, como era justo, atendendo ao currículo, promovido a testa-de-ferro da Mota-Engil.

Há mais. Estes são, apenas alguns, dos muitos Pachecos Pereiras, Pedros Baptistas e outros Artur Albarans que Maio, desgraçadamente, semeou entre nós.

Ah! Quanto a José Sócrates, que na altura se chamava José Pinto de Sousa e era tratado por Zezito, descobria a tempo, que não sabia fazer nada, e por isso, planeava já iniciar uma brilhante carreira política na juventude partidária mais à mão, tornando-se sócio do Círculo de Leitores ...