«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

26
Fev 09

´

Habitualmente quando falamos de Iluminuras referimo-nos aos livros pacientemente produzidos, desde a baixa Idade Média, pelos monges copistas, nas Bibliotecas das Igrejas e Mosteiros. Livros com iluminuras seria mais correcto. Estes livros, escritos e copiados à mão, continham ilustrações coloridas e letras ricamente ornamentadas com vários motivos, que iam da inspiração floral à inspiração mitico-religiosa ; das flores e estrelas aos pássaros, monstros e outras criaturas.

Na realidade, o termo iluminura não se refere nem ao livro nem ao conteúdo do seu texto. Em rigor, apenas se aplica às ilustrações que sublinhavam a mensagem do texto e às Letras Capitulares: letras coloridas profusamente decoradas que introduziam um novo assunto. Entre uma grande variedade de pigmentos, o ouro e a prata eram obrigatoriamente usados como tinta. Expostas à luz, estas ilustrações  parecem brilhar ao reflectirem a luz do sol.

Esta é, de resto, a explicação para o seu nome.

Como  aconteceu com toda a arte Românica, a técnica e grande parte dos motivos utilizados foram fortemente influenciados pela arte móvel decorativa dos povos bárbaros, quase toda constituída por pequenos objectos rituais ou decorativos. O semi-nomadismo destes povos não convivia bem com a edificação de grandes construções. Levou algum tempo até criarem raízes...

 

Ainda mais visivel na arte das Iluminuras é a influência bizantina, quer quanto à técnica quer quanto aos motivos decorativos e materiais utilizados - o uso do ouro e da prata como tinta, por exemplo.

 De facto, é quase impossivel, quando se observa uma iluminura,  não pensar em  ícones bizantinos.

Os livros com iluminuras eram encadernados em couro com " ourivesaria", de três formas diferentes; couro liso, couro estampado e couro gravado a frio.

A produção de iluminuras estendeu-se por vários séculos, compreendendo o período inicial , paleo-cristão, o intermédio, românico-gótico, e o final, o renascentista. Uns e outros reflectem  as crenças, o gosto e as  tendências artísticas das respectivas épocas.

Nas iluminuras românicas e góticas estão ainda ausentes os princípios da proporção e da perspectiva, o que evidentemente já não acontece na sua fase renascentista contemporânea ou posterior a Giotto.

Nelson Costa às 10:10

Fevereiro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9




 

Historiar é olhar para trás…sem virar a cabeça. De resto, não te serviria de nada.
 
Porque olhar para trás é, neste caso, olhar para o passado e este foi-se, não o podes ver.
 
No entanto não desapareceu totalmente. Deixou marcas suficientes nos locais e nas gentes que descobertas, relacionadas, datadas e com um pouco de imaginação à mistura, fizeram a História do nosso país.
 
Que a descubras por ti próprio e com ela aprendas é o que te propomos.
 
Visitas