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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

ILUMINADOS E ILLUMINATI-2ª parte

    

Mas deixemo-nos de generalizações e vamos à história.

Se descontarmos a conotação estritamente religiosa do termo, a palavra "illuminati" foi particularmente  utilizada a partir do século XIV, em Inglaterra pelos “ Brethen of the Free Spirit “ que afirmavam ser a iluminação um resultado de procura interior e não de nenhum segredo, testemunho ou fonte revelada. Nada de novo, pelos vistos a não ser a utilização obsessiva do termo. 

OS " ALUMBRADOS "              
Mais tarde em Espanha, surgiram no séc. XVI os" Alumbrados", alguns conseguiram escapar à Inquisição porque grande parte dos seus membros ou simpatizantes , ao que parece entre estes, o próprio fundador  jesuíta Inácio de  Loyola, eram pessoas de poder e influência…Diziam mais ou menos o mesmo: a salvação residia na bondade e na procura interior. Praticavam a imobilidade do corpo e do espírito, o que  é sem dúvida uma forma de meditação próxima da oriental, e preferiam a recitação silenciosa à recitação oral da Bíblia. Livro que, de resto, interpretavam de maneira bem diferente da oficial, sendo por isso também acusados de" Luteranistas".
 
Alguns dos seus membros afirmavam ter contactos directos com Jesus Cristo. Os cogumelos, que nesta altura eram consumidos indiscriminadamente,  talvez possam explicar grande parte da alucinada  espiritualidade desta época. Talvez as bruxas e os magos se pudessem queixar do mesmo. Mas estes com menos poder ou influência não tiveram a mesma sorte às mãos da Inquisição.
"LES ILLUMINÉS"

Um pouco mais tarde em França, surge um movimento auto-proclamado "Les illuminés" , importado de Espanha e instalado na Picardie, a partir de 1623, pela inspiração do padre Pierce Guérin. Foram extintos em 1634. No século seguinte, ainda em França, em 1722,  surge mais uma safra de novos Iluminados, desta vez conhecidos por “ Les Prophets de Cevennes ”, um ramo dos ”camisardos“, nome por que eram tratados os Calvinistas em França. A estes nem a revolução os salvou. O anticlericalismo radical destes tempos não ajudou nada. Em Inglaterra eram conhecidos por " The French Prophets". Nostradamus foi, ao que parece, um deles.

 

A verdade é que a partir do século XVI,  huguenotes, luteranos, calvinistas e os nossos  “iluminados“ tiveram pela Europa Católica fora, muitas vezes, a fogueira ou a morte pela tortura como fim comum. Era a época da afirmação dos diferentes absolutismos e despotismos, também eles iluminados, que não toleravam competição ou dissidência.
OS ROSA-CRUZ
Bem diferentes, mais secretos mas não menos iluminados eram os  Rosa-Cruz, que se afirmavam sucessores dos Templários, extintos no séc XIV,  primeiro por Filipe “o Belo” em França, e escorraçados, logo a seguir, de todo o mundo católico pelo Papa. Afirmavam-se detentores de segredos gnósticos e de práticas alquímicas a que atribuíam efeitos mágicos.
 
Toda esta secreta sabedoria estava confinada a livros e documentos que permitiriam aos estudiosos atingir a perfeição humana após anos de estudo.
OS  " MARTINISTAS "
 De volta a França, sempre prolífera nestes fenómenos, surge no século XVIII um novo Grupo esotérico formado em 1754 por  Martinez Pasqualis, “ os Martinistas “ Este grupo estendeu a sua influência à Rússia a partir de 1790, tendo como  "mestre de cerimónias "o professor Schwartz. Eram essencialmente sociedades ocultistas e cabalistas, também elas detentoras de conhecimentos, métodos e práticas secretas capazes de possibilitar aos iniciados a experiência da transcendência.
 
Os Martinistas tinham como “ gurus “ Jakob Boehme e  Emanuel Swedenborg.
Boehme era um sapateiro devoto das escrituras, que relatava em prosa as suas visões celestiais e, para quem a vida era ela própria um processo de alquimia. O ouro esperava no fim da vida por aqueles que tinham alcançado a perfeição.

Emanuel Swedendorf  foi um religioso teórico do espiritismo e um especialista do livro do Apocalipse, para ele o prenúncio e um catálogo de toda as catástrofes.

A " ORDEM BÁVARA DOS  ILLUMINATI "
 
Os Illuminati Bávaros, que a si mesmo se tratavam por " perfeccionistas", não duraram muito, mas foram os que mais profundas marcas deixaram. Tão profundas que ainda hoje, e de forma cada vez menos insidiosa, se  fazem sentir.
De inicio foram tolerados pelo governo do progressista Maximiliano José III de Wittelsbach e, durante a sua curta vida,  influenciaram  fortemente o rumo do pensamento, da política e da cultura europeia, seduzindo pessoas como Goethe e Herder, entre muitos outros ilustres iluminados não assumidos.
Com a subida ao poder de Carl Theodor, as coisas mudaram substancialmente, quando este de uma só vez proíbe todas as sociedades secretas, incluindo os Illuminati e os Mações, o que valha a verdade, eram quase a mesma coisa.
Os illuminati seriam simultaneamente mações. Os seus melhores e também os mais radicais. Seja como for, mesmo depois de extinta em 1784, a sua influência nos acontecimentos históricos mais próximos como as Revoluções Francesa e Americana.foi notória. E, apesar de neste caso, as certezas serem menores, nem mesmo a Revolução Russa de 1917  parece ter escapado. 
Pelo menos nestes três casos, são conhecidas  ligações entre os seus principais mentores e os ideais maçónicos. De Voltaire a George Washington ou Robespierre. Quanto aos Bolcheviques, sempre salientaram de forma simpática a importância da maçonaria na afirmação dos ideais burgueses. A Ordem dos Illuminati Bávaros era sobretudo um movimento de activos republicanos e livres pensadores fundada por um professor de direito canónico, Adam Weishaupt, e pelo barão Adolph von Knigge, um saudoso dos tempos de rei Artur… Consagrava três níveis hierárquicos correspondentes a diferentes níveis de aperfeiçoamento individual. O primeiro, o Berçário, era o nível do iniciado; o segundo, a Maçonaria, correspondia a um nível intermédio de conhecimentos esotéricos; finalmente o terceiro, o dos Mistérios, era reservado aos verdadeiros iluminados, sacerdotes e grandes sacerdotes de um templo qualquer.Outra coisa que unia todos estes grupos era uma assumida relação com o sagrado, por muito profanas que fossem as suas ideias e intenções. No fundo, tratava-se de uma nova Fé.
 
Muitas vezes, invertendo velhos símbolos, dogmas ou ritos. Mas não prescindindo deles. Fazia parte dos seus conhecimentos reconhecer a importância e o poder dos símbolos e rituais nos comportamentos colectivos. Conscientes ou não.
Às vezes brincavam. É impossível não ver uma certa ironia nas notas de um dólar que ostentam a frase “Novos Ordo Seclorum “ ou seja, nova ordem secular, ao lado de ” In God We Trust “, confiamos em Deus. Uma vez no poder, era preciso sossegar o povo. Os outros, os seus, nas imortais palavras de Octávio Machado, " sabiam do que se tratava "…
A criptografia, a ambigrafia, os enigmas, os puzzles e a linguagem simbólica em geral, sempre uniram estes grupos e eram a medida do seu secretismo, esoterismo e mesmo dos seus propósitos.
Desde finais do seculo XVIII que circulam teorias acerca de uma conspiração mundial envolvendo Cavaleiros do templo Rosa–Cruz, maçónicos e illuminati que, por individualmente, ou todos conluiados, teriam como objectivo substituir todas as religiões pelo humanismo racionalista que sempre defenderam, e os governos e países por uma única confederação mundial, centralmente dirigida por estes eleitos e clarividentes. Tudo isto cheira a folcore, mas a verdade é que todos estes grupos Maçónicos e " para-maçónicos " continuam bem vivos e com a influência de sempre, infiltrados ou não pelos illumunati, desde que estes foram oficialmente extintos.
São várias as teorias e rumores que afirmam ser hoje a influência dos illuminati maior do que nunca, estendendo-se aos governos e  administrações dos mais poderosos países do mundo. 
A organização secreta “ Skull and Bones “ , que integra exclusivamente a alta aristocracia americana formada em Yale, seria um exemplo. Por esta organização, illuminati, e maçónica teriam passado as mais poderosas famílias americanas ligadas ao poder como os Kennedy e os Bush. À volta de um núcleo duro, a malta de Yale, reuniriam as mais destacadas figuras mundiais da política, da alta-finança e dos media…A ordem de trabalhos seria pelos vistos sempre a mesma.
“Qual a melhor forma de controlar os destinos do mundo, sem que a nossa presença seja notada.“
E parece, a julgar por quem nos governa, que já encontraram há muito a resposta. Contratar umas marionetes bem vestidas e de discurso bem articulado que façam por eles o trabalho…Tudo isto claro são "Teorias da Conspiração", mas por mim acho mais racional, provável e, sobretudo, reconfortante pensar que estamos a ser conduzidos por tenebrosas forças ocultas do que admitir que quem de facto nos governa e dita os destinos do mundo sejam criaturas com a dimensão e inteligência de George W. Bush, Gordon Brown , Robert Mugabe, José Eduardo dos Santos e, no fim da lista, um mais que risível personagem chamado José Sousa, que assina José Sócrates.
E, já agora, quem pensa que os mais poderosos clãs do mundo, dos Rothschild aos Kennedy, frequentam estas sociedades secretas apenas para exibirem as suas fatiotas, rituais, e símbolos que tresandam a Kitsch e a fancaria…então é melhor pensar outra vez.
MAIS TEORIA DA CONSPIRAÇÃO ...