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HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

HISTORIAR N

«Para suportar a sua própria história, cada um acrescenta-lhe um pouco de lenda.» Marcel Jouhandeau

OPINIÃO

"OS BEATLES"

 
Para começar nunca fui um fã dos Beatles. Sempre me pareceram aquilo a que hoje se chama um “ Hype “.
Como músicos eram medíocres. Como compositores, Lennon e Mccartney eram um pouco melhores...vá lá, bastante melhores. É verdade que das suas cabeças sairam algumas daquelas músicas " redondas " que em muitas alturas achamos quase perfeitas e intemporais.. Mas pouco do que fizeram sairia da obscuridade, não fossem as roupagens "frescas" e os arranjos grandiloquentes com que os melhores produtores e músicos de estúdio vestiram as suas canções. Sem isso pouco mais eram do que uma bem comportada " banda de tributo "a Elvis e outros ...
 Para mim,que em parte assisti àquilo que hoje exageradamente chamamos de Beatlemania,  foram sobretudo uma ficção criada pelos media , patrocinada por velhas raposas da industria discográfica.
 Para o "establishment" eram  água-benta que a juventude podia consumir à vontade. O perigo vinha de outro lado. Do lado dos que em vez de cantar berravam, incendiando os espíritos, agitando as consciências....
 Espertos e bem aconselhados, depressa se aperceberam que a sua música e toda a aura à sua volta criada nunca sobreviveriam a continuadas apresentações ao vivo. Por isso, e talvez fartos de recorrer ao play-back… desistiram. Aí, os adolescentes da altura costumavam pedir mais. Atitude, rebeldia, empenhamento e, se possível, o caos que transbordasse do palco para a plateia e pusesse tudo de pernas para o ar...coisas da idade. De um concerto rock, esperava-se um ritual pagão e não música de catequese.
 
Com as suas fatiotas e pequenos laços ou gravatas, em palco nada distinguia os Beatles de um vulgar grupo de bailes e casamentos. Sempre os vi mais como uma banda de casino, com maus cortes de cabelo, do que como uma banda de rock 'n' roll.
Sem dubs e overdubs, sem orquestras e manipulações de engenharia acústica, tresandavam a banalidade. As declarações anticapitalistas e, " noblesse oblige " contra a guerra do Vietnam, conviviam mal com as limusinas, e as condecorações com que a realeza os distinguia. Mas isso pouco importava.
 Da lenda e da venda ocupavam-se  as editoras  e a imprensa. E tudo isto contava...se fosse bem contado.
Entretanto, se dos palcos não saía  nada  para entreter os putos, havia ainda muito folclore que podia ser criado e consumido, a partir  dos estúdios de gravação, das limusinas e dos quartos de hotel. As disputas pouco abonatórias entre os seus membros, devidamente apimentadas pelas respectivas namoradas, também ajudavam muito. Para não falar das exóticas, piedosas e espirituais peregrinações à Índia, de onde trouxeram todos os Maharashis que ainda hoje por cá fazem fortuna, à custa da tolice ou do desespero…
Mas esta é apenas uma opinião… que não fez história.
 
Mas é melhor vê-los. Todos certinhos e em play-back como costumavam fazer....